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Agência de Jornalismo das periferias

Por: Luis Felipe do Nascimento

Notícia

Publicado em 03.03.2022 | 18:57 | Alterado em 14.03.2022 | 10:49

Tempo de leitura: 3 min(s)

Eram meados de 2018 quando foi visto pela primeira vez um macaco da espécie Callithrix sp, também conhecido como “Sagui-de-tufo-branco”, na escola Niceia Albarello Ferrari, em Diadema, na Grande São Paulo.

Desde então, os animais se tornaram parte da rotina do colégio e chamam a atenção de alunos do local. Um deles ganhou até nome das crianças: “Chico”.

“Ele se aproximava diariamente das crianças e isso me preocupou porque ele comia coisas que caiam no chão ou alimentos que elas e alguns professores ofereciam”, conta a bióloga Lilian Teixeira, 33, pesquisadora e professora de ciências e biologia do Niceia desde 2019.

Segundo informações da equipe do colégio, os macacos transitam diariamente pelas árvores da escola e no prédio vizinho, que são lugares com áreas verdes.

Lilian Teixeira é professora na escola Nicei e fala das medidas para proteger os animais @Luis Felipe do Nascimento/Agência Mural

Como forma de minimizar possíveis problemas com a alimentação dos animais, a professora, juntamente com o grupo docente, decidiu montar aulas sobre os alimentos que os macacos podem e precisam comer no dia a dia.

Hoje, ao menos cinco deles transitam pela escola, sendo um casal adulto e três filhotes. É possível visualizá-los todos os dias por volta das 6h, horário em que uma funcionária coloca frutas disponíveis nas árvores para alimentá-los. Outras vezes também aparecem no período da tarde.

A situação mudou até a rotina de trabalho e a gestão da escola passou a educar funcionários e alunos para respeitarem os saguis que andam pelo colégio. A situação tem sido usada também como parte das aulas.

“Trabalhando a educação ambiental com os alunos que estão na escola e com os novos que chegam todos os anos, iremos melhorar a convivência dessa espécie e prevenir muitos problemas”

Lilian Teixeira, professora

Embora sejam pequenos e sociáveis, os macacos são animais silvestres e o fato de receberem uma má alimentação pode trazer diversos problemas para a saúde da espécie.

Os callithrix são onívoros, geralmente se alimentam de origem vegetal e animal: comem insetos invertebrados, filhotes de aves e pequenos roedores. Quando estão na mata, costumam predar ninhos e se alimentar de goma de árvore.

Estes animais são vulneráveis a um grande número de predadores e por isso têm hábitos diurnos: no período da manhã costumam se alimentar e no período da noite se escondem.

Saguis vivem entre prédio da escola e vizinhos, onde há área verde @Luis Felipe do Nascimento/Agência Mural

Vida urbana

A chegada deles até a escola pode estar ligada à urbanização da cidade e ao fim de áreas verdes onde podiam ter vivido. Em Diadema, nos últimos 20 anos foram construídos mais de 60 prédios na região central, entre eles, edifícios comerciais e residências.

Perto da escola, havia uma área verde que deu lugar a um condomínio.

No entanto, outros fatores podem ter levado os animais ao colégio, como a compra dos animais por algum morador da região. No Brasil, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) autoriza a compra e venda de dois gêneros de macacos: o macaco sagui e o macaco prego.

Ambos podem ser encontrados em criadouros legalizados, que comercializam apenas animais nascidos em cativeiro.

Para o geógrafo Victor Henrique, 30, o caso causa preocupação. Ele cita que um dos principais problemas ambientais é a extinção, devido ao contato direto de algumas espécies de animais com o homem.

“As pessoas nas cidades têm uma relação com a natureza que é realmente predatória”, diz Victor. “A gente se enxerga como o topo da cadeia alimentar, quase como se a gente só pudesse extrair dela o que é necessário e conduzir a natureza aos nossos interesses”.

Animais são sociáveis, mas necessitam de cuidados @Luís Felipe do Nascimento/Agência Mural

Por serem animais sociáveis, os saguis precisam de outros membros da espécie para se sentirem bem. A bióloga Lilian conta que, na primeira vez que viu o “Chico”, ficou preocupada pelo fato dele estar sozinho. “Eles precisam de um grupo. Hoje, por estar ao lado de um casal com mais dois filhotes, já está mais estável”, diz.

O convívio com os humanos, a poluição ao redor e as movimentações da cidade acabam fazendo a espécie perder o medo.Hoje eles têm um grupo com cinco macacos, mas geralmente essa espécie costuma se reproduzir muito rápido e conviver em grupos de aproximadamente 15 animais.

O aumento da população pode trazer um desequilíbrio para a fauna e flora da região, podendo chegar a um momento em que eles fiquem com espaços mais reduzidos para transitar.

Em nota, a assessoria do Verde e Meio Ambiente de Diadema afirma que algumas ações para cuidado e preservação ao meio ambiente são constantes na cidade e que o trabalho de manutenção das áreas verdes acontece diariamente. Também se comprometeu a acionar o Centro de Controle de Zoonoses para identificação das espécies no colégio.

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Luis Felipe do Nascimento

Jornalista, educomunicador, periferiférico, gestor de projetos e tecnologia na Rede Potências Periféricas e co-criador do coletivo Perifatec. Correspondente de Diadema desde 2019.

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