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Agência de Jornalismo das periferias

Por: Cleber Arruda

Notícia

Publicado em 31.01.2022 | 17:30 | Alterado em 31.01.2022 | 18:53

Tempo de leitura: 4 min(s)

As chuvas de janeiro causaram transtornos para os moradores dos bairros Jardim Vista Alegre e Jardim Damasceno, na Brasilândia, zona norte de São Paulo. No dia 19, um temporal fez com que os córregos da região transbordassem alagando diversas ruas da região.

As fortes chuvas também avançaram pela Grande São Paulo e provocaram deslizamentos de terra, transbordamento de rios e córregos no fim de janeiro. Cidades como Franco da Rocha, Francisco Morato, Itapevi e Embu das Artes ficaram alagadas e mortes foram registradas. Na Brasilândia, o trauma de perder tudo voltou a ser vivido.

“Como posso definir esse dia [19]? Foi bastante desesperador. Essa é a palavra. Porque a gente se preocupou em ajudar as pessoas e salvar o que fosse mais difícil de conseguir de novo”, relembra a dona de casa Arliene da Rocha Santos, 35.

Arliene da Rocha Santos com o carro que ficou debaixo d’água @Cleber Arruda/Agência Mural

Moradora da Rua Ibiraiaras, que fica próxima ao Córrego do Bananal, Arliene conta que o volume de água no dia da enchente foi muito grande e rápido.

“A água estava quase no pescoço, vinha do rio e do bueiro que não comportou. Perdi só o carro, mas muitas famílias perderam tudo. Algumas só conseguiram salvar documentos e roupas”, diz.

A dona de casa Maria da Dores, 67, relata que estava sozinha quando a chuva começou. “Foi de uma vez. A metade das minhas compras foi embora. Perdi colchão, armário… O rio está entupido e as pessoas estão construindo em volta por não terem onde morar. E acaba acontecendo isso.”

A dona de casa Maria da Dores perdeu móveis durante a chuva e demonstra a altura da água @Cleber Arruda/Agência Mural

Vizinha de Maria das Dores, a diarista Dilma Ribeiro Loureiro, 61, também passou por situação parecida e conta que está sempre em alerta com a previsão do tempo.

“Já passamos por isso ano passado. Mês de janeiro é assim, todo ano temos isso [enchentes] aqui. É um sofrimento, já estou desgostosa, procurando sair”

Dilma Ribeiro Loureiro

Ela subiu um batente e uma meia porta de ferro na entrada de casa para evitar que a água entre. Mesmo com essas medidas, ela precisou trabalhar muito no dia da enchente.

“Fiquei com a coluna ruim, fiquei quatro horas tirando água de casa com um balde sozinha. Não pode deixar essa água aqui porque danifica a parede. Fica caindo o reboco. Não perdi nada, mas teve vizinho que perdeu tudo”, diz Dilma.

Prevendo as enchentes, Dilma Ribeiro Loureiro tinha uma meia porta de ferro na entrada de casa @Cleber Arruda/Agência Mural

Os moradores alegam que os serviços de manutenção dos córregos da região estão cada vez mais irregulares e que nenhuma assistência foi prestada após o ocorrido.

“Toda chuva é preocupante, porque o nosso rio é aberto. A prefeitura planeja cobrir e tirar as pessoas da beira do rio, mas só planeja e isso preocupa porque vem tudo para as casas”, conta Arliene, afirmando que a vizinhança está assustada.

Casas próximas ao córrego na Brasilândia Cleber Arruda/Agência Mural

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A comunidade está se mobilizando para doar alimentos e roupas aos vizinhos prejudicados pela enchente.

Para os interessados em ajudar, o endereço para doações é Rua Ibiraiaras, 640, Viela do Mercado Primo Ceará. A própria Arliene é quem está distribuindo as doações. O número de telefone dela é (11) 98706-9282.

No Jardim Damasceno, bairro vizinho, o córrego do Canivete, no Parque Linear do Canivete, também transbordou no dia 19 de janeiro. As ruas Talha Mar, Grumixá e Avoante, na entrada do morro, foram as mais afetadas. Além disso, um trecho da Avenida Deputado Cantídio Sampaio ficou alagado.

“Há muitos anos alaga aqui no Damasceno. Agora com as novas construções, tudo vem parar aqui na parte baixa. E quando passa a chuva, vem um sol, fica a lama e depois o pó nas casas”, conta o comerciante Ivan Rocha de Santana, 49.

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Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que o Piscinão e Córrego Bananal contam com serviços diários de limpeza e manutenção. Mensalmente, somente do piscinão, são retiradas mais de 2 mil toneladas de resíduos.

Segundo o órgão, como forma de prevenção de enchentes, a administração regional disponibiliza também equipe para serviço de microdrenagem, conhecido popularmente como “tatuzão”, para desobstruir galerias pluviais e auxiliar no escoamento da água.

Em relação à assistência social aos moradores, a SMADS (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social) diz que foi acionada em 21 de janeiro para prestar atendimento após uma ocorrência de alagamento em residências – na altura do número 4.389 da Avenida Deputado Cantídio Sampaio, endereço que fica próximo da Rua Talha Mar, no Jardim Damasceno.

Lá, foram atendidas 29 famílias, totalizando 110 pessoas, que receberam oferta de acolhimento e os seguintes produtos de primeira necessidade: 110 colchões, 110 cobertores, 48 cestas básicas, 48 kits de limpeza e 110 kits de higiene.

Sobre o ocorrido na Rua Ibiraiaras, no Jardim Vista Alegre, a SMADS afirma não ter sido acionada.

De acordo com a Secretaria Municipal de Segurança Urbana, a Defesa Civil foi acionada quatro vezes na semana entre 17 e 20 de janeiro. Os motivos eram alagamentos na região da Subprefeitura de Freguesia do Ó, na zona norte.

No entanto, não houve acionamento da Defesa Civil para as ocorrências citadas nas Ruas Ibiraiaras e Talha Mar.

Cleber Arruda

Cofundador, correspondente da Brasilândia desde 2010 e editor em projetos especiais. É jornalista do Valor Econômico e voluntário do projeto Animais da Aldeia. Canceriano, gosta de cachorros e de viajar por aí.

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