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Com morte em Pirapora, todas as cidades da Grande SP têm vítimas da Covid-19

Aumento de casos e mortes por Covid-19 volta a acelerar na região metropolitana e são 96 mil infectados e mais de 6,6 mil mortes

Uma mulher de 75 anos morreu há dez dias no Hospital Geral de Itapevi, na Grande São Paulo. Moradora de Pirapora do Bom Jesus, os resultados dos exames confirmaram nesta terça-feira (2) que se tratava de uma vítima de Covid-19.

A morte dessa moradora tem um triste valor simbólico desde o começo da pandemia do novo coronavírus. Pirapora era única das 39 cidades que não tinham vítimas do novo coronavírus. O caso aponta que a doença se espalhou também pelas pequenas cidades distantes da capital. 

Antes, Salesópolis, Biritiba Mirim e São Lourenço da Serra, todas com menos de 30 mil habitantes, já haviam tido casos de contaminação e vítimas por causa do novo coronavírus. 

Além disso, os dados da última semana mostram que, enquanto as cidades cobram a reabertura do comércio, o número de doentes e vítimas segue em alta. Em sete dias, houve um crescimento de 37% nas confirmações de Covid-19 – são mais de 96 mil casos. 

Os números foram levantados pela Agência Mural com base na informação das 39 prefeituras. No entanto, tende a ser maior pois moradores ainda relatam subnotificação e há mais de 140 mil casos em investigação.

Uma semana antes, quando o governador João Doria (PSDB) anunciou as fases da abertura econômica, as 39 cidades tiveram 23% de aumento no número de casos. 

Doria decidiu iniciar a reabertura pela capital, que passou a fazer parte da faixa laranja, o que autoriza a Prefeitura de São Paulo a receber propostas de estabelecimentos como shoppings sobre como reabrir o comércio. Nos últimos sete dias, foram quase 20 mil casos e 884 mortes por causa da Covid-19 só na capital.

As mortes na região metropolitana também aumentaram mais do que na semana anterior – 25% ante 19%. São ao todo 6.673 moradores que não resistiram à Covid-19.

Nas cidades vizinhas à capital, algumas têm registrado mais casos e mortes em bairros das periferias. Em Barueri, o Parque Imperial é onde há mais vítimas, enquanto Alphaville, um dos líderes em casos, há menos óbitos. 

Em São Bernardo do Campo, o bairro do Montanhão tem sido o mais afetado, enquanto Carapicuíba tem uma concentração de casos na Cohab.

As dificuldades de isolamento em regiões com moradia precária é um dos aspectos que podem contribuir para o avanço da Covid-19. 

“Na periferia estão os menores índices de isolamento e onde mais se morre”, afirma Estela Alves, pesquisadora de pós-doutorado do IEE (Instituto de Energia e Ambiente da USP).

“Um dos desafios é a informalidade, o subemprego, que atinge esses espaços”, ressalta. “Moradias precárias fazem com que as pessoas morem juntas, no mesmo lote, dividindo quartos e a falta de saneamento, sobretudo ao abastecimento de água potável, afeta sobretudo os bairros periféricos”. 

Na capital, a situação é parecida. Os bairros das periferias contam com mais mortes, mas a grande maioria dos casos ainda é tratada como suspeita. Além das 4.000 mortes contabilizadas até terça-feira (2), há outras 4.000 ainda em análise. 

Desde o final de março, as medidas de isolamento têm sido adotadas como forma de evitar a lotação dos sistema público de saúde e reduzir a velocidade com que a doença avança. O número de leitos em cada região será um dos elementos que serão avaliados para a abertura econômica. 

Paulo Talarico

Editor-chefe de jornalismo, cofundador e correspondente de Osasco desde 2011. Formado em jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, tem pós-graduação em jornalismo esportivo e curso técnico de locução para rádio e TV. Atualmente, estuda História na Universidade de São Paulo. Gosta de café, Osasco, livros, futebol e cinema.

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Lucas Veloso

Jornalista, cofundador e correspondente de Guaianases desde 2014.

Guaianases, São Paulo

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