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Itaquaquecetuba: na cidade que menos vacina em SP, faltam doses para profissionais de saúde

Com vacinação em ritmo lento, profissionais da saúde não conseguem se imunizar. Prefeito reclama da distribuição de doses; governo do Estado diz que é suficiente.

Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo, é a cidade paulista que menos vacinou a população até agora. Apenas 3,8% dos moradores já tomaram ao menos a primeira dose do imunizante contra a Covid-19

No ranking de vacinados, a cidade está bem abaixo da média estadual que aponta que 10 em cada 100 habitantes já receberam ao menos uma dose. 

Os dados são do Vacinômetro, plataforma do governo do estado que divulga o andamento da campanha.

Até terça-feira (30), mais de 14 mil pessoas haviam tomado a primeira dose do imunizante em Itaquá, enquanto 3.000 já haviam tomado a segunda, totalizando cerca de 17 mil doses aplicadas. A população do município é de 375 mil habitantes.

O ritmo de vacinação segue mais lento que o das cidades vizinhas. Em Poá, 5,7% da população já recebeu ao menos a primeira dose da vacina, número que chega a 7,8% em Suzano e 9,1% em Mogi das Cruzes. Na Grande São Paulo, São Caetano do Sul lidera com 20%.  

Até quem está na linha de frente do combate ao coronavírus têm enfrentado dificuldades. Nos postos, faltam imunizantes para os profissionais da saúde. 

Campanha de vacinação contra a Covid-19 em Itaquaquecetuba | Divulgação

A biomédica Maria Santos, 24, tentou se vacinar, mas foi informada da falta de doses. “Na primeira fase da campanha, anunciaram que a vacinação seria das 8h às 16h na Secretaria da Saúde. Cheguei às 9h com minha cunhada, que é dentista, e não conseguimos nos vacinar, porque disseram que já haviam acabado as senhas, apesar de terem vacinado só umas 30 pessoas”, lembra.

Desde então, ela e a cunhada não conseguiram mais se imunizar. Nas páginas da Prefeitura de Itaquaquecetuba nas redes sociais, se multiplicam reclamações semelhantes. Na entrada da Secretaria da Saúde, um aviso diz que a segunda dose da vacina para esses profissionais também está em falta.

“Uma colega, também biomédica, recebeu a primeira dose da Coronavac, e quando foi receber a segunda, no dia agendado, não tinham mais doses”, diz Maria.

Também pelas redes, a prefeitura disse que aguarda a chegada de novas doses para continuar a imunizar os profissionais da saúde.

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Em janeiro, o prefeito da cidade, Eduardo Boigues (PP), demonstrou insatisfação com o método de distribuição de doses do governo estadual. 

“O critério de distribuição não foi igualitário perante à nossa região. Nós somos o dobro da população de Ferraz de Vasconcelos, e vamos receber a mesma quantidade de vacinas. Somos o triplo de Poá, e eles só vão receber 400 vacinas a menos”, disse, por meio de uma live em rede social.

Até agora, Itaquaquecetuba recebeu 19.575 doses do imunizante contra a Covid-19. Já a vizinha Suzano, com 50 mil habitantes a menos que Itaquá, recebeu mais doses: 26.069 frascos.

Em nota, a Secretaria da Saúde do governo de São Paulo afirma que as doses enviadas para a cidade são suficientes. 

Segundo a nota, o cálculo de distribuição de vacinas é feito pelo Ministério da Saúde, de acordo com o número de pessoas imunizadas contra a gripe em 2020 em cada município. A campanha da imunização contra gripe prioriza os idosos. 

A assessoria da prefeitura de Itaquaquecetuba afirma que segue as orientações e cronogramas do estado, de acordo com a quantidade de vacinas que recebe.

MOMENTO DIFÍCIL

Em março, Itaquaquecetuba decretou Estado de Calamidade Pública, e enfrentou o seu pior momento da pandemia. Com apenas dois leitos de UTI à disposição de uma população de 375 mil habitantes, estado e prefeitura tiveram de correr para evitar o colapso do sistema.

No início do mês, a prefeitura inaugurou um novo centro médico, com leitos de enfermaria para receber os pacientes de Covid-19. Já o estado abriu mais oito novos leitos de UTI no Hospital Geral de Itaquaquecetuba, o Santa Marcelina.

No total, a cidade contabiliza 489 mortes desde o início da pandemia, uma média de 130,4 vítimas a cada 100 mil habitantes.

VACINAÇÃO

Nesta semana, a cidade segue vacinando os idosos entre 69-71 anos, que podem receber a primeira dose do imunizante em todas as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) do município, e também nas escolas municipais Maria Cristina Diniz de Almeida (rua Arujá, 78 –  Monte Belo) e Engº Chiozo Kitakawa (avenida Pedro de Toledo, 115 – Jardim Caiuby).  

Um drive-thru também foi montado na Universidade Univeritas (avenida Uberaba, 251 – Vila Virgínia). Todos os locais funcionam das 8 às 15h.

Já a segunda dose está sendo aplicada somente para os idosos de 77-79 anos, nas UBSs Monte Belo, Recanto Mônica e Caiuby, também das 8 às 15h.

Lucas Landin

Estudante de políticas públicas e correspondente de Poá desde 2015. Amante da política, das ferrovias e dos felinos. Entusiasta do transporte público.

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