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Lavador de carros, MC F8 ganha projeção no funk durante a pandemia

Música lançada durante a quarentena alcançou mais de 60 mil acessos nas plataformas digitais em Suzano, na Grande São Paulo

Após encerrar o expediente de oito horas de trabalho, o lavador de carros Fabrício Aparecido Gabriel, 23, retorna à casa no bairro Jardim Casa Branca, na periferia de Suzano, na Grande São Paulo, e parte para a próxima jornada. Durante a noite, utiliza o celular para escrever e gravar novas músicas. 

Fabrício começou a produzir as próprias canções em 2014, porém foi na pandemia de Covid-19 que o MC ganhou destaque no cenário musical em Suzano. Até o momento ele lançou três músicas e um videoclipe, que somando os acessos chegam a 70 mil visualizações. 

“Diferente dos anos anteriores, decidi que 2020 iria me empenhar mais no funk. Mesmo em uma crise, temos que ficar atentos as portas abertas”, afirma Fabrício, que passou a ser conhecido como MC F8.

Apesar da pandemia do novo coronavírus ter causado prejuízo, Fabrício encontrou oportunidades em meio à crise. Após ter o serviço formal de lavador de carro paralisado até o mês de julho, aproveitou o tempo vago para dedicar-se integralmente ao funk e escrever novas letras.

Fabrício Aparecido Gabriel, 23 , mais conhecido como MC F8 | Renan Omura/Agência Mural

“Na maioria das vezes a música sai pronta da minha cabeça já com o refrão. Outras vezes, busco referências e vejo o que está em alta para compor”, explica.

Foi em quarentena que ele compôs e gravou a canção “África Twin” com o DJ CK. A música tem mais de 12 mil visualizações no canal principal e 40 mil acessos em outras plataformas digitais. “Foi a primeira música que gravei em um estúdio profissional”, conta F8, que se surpreendeu com o resultado.

O custo para alugar um estúdio e contratar um DJ qualificado, é entre R$ 2.000 mil a R$ 5.000. Sem condições de pagar pelo valor, Fabrício sempre gravou as músicas em casa com o próprio celular ou com um microfone de karaokê.

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No entanto, por conta da crise causada pela pandemia o preço de locação dos estúdios reduziu drasticamente. Aproveitando a oportunidade, um amigo de Fabrício pagou a gravação e a produção da música “África Twin”. 

“Quando entrei no estúdio profissional eu fiquei nervoso, mas depois me soltei e foi. No final a qualidade nem se compara com as gravações caseiras que eu fazia”, conta.

Um mês depois do lançamento do primeiro hit, F8 recebeu uma promoção de uma produtora para produzir um clipe. O vídeo da música “Favela Venceu” foi gravada no bairro Casa Branca, local onde o MC mora e contou a participação de alguns amigos.  

Clipe da canção ‘Favela venceu’ gravada no bairro Casa Branca, em Suzano | Divulgação

“Nas minhas músicas eu sempre tento passar uma mensagem de superação para os jovens da quebrada. ‘Favela venceu’ é isso. Temos que correr atrás dos nossos sonhos”, ressalta o MC.

A terceira canção lançada por F8 é a “Lacoste”. Postada no final de agosto, ela conta com mais de 3.500 visualizações. “Fico muito feliz quando vejo a população suzanense curtindo o meu som. Isso me motivou bastante”, comenta. 

Apesar de ter voltado ao serviço de lavador de carro, ele está compondo diariamente para montar um repertório. O objetivo do MC é começar a fazer shows após o quadro da pandemia normalizar. Para isso, pretende gravar mais músicas em estúdios profissionais e pagar os custos com o trabalho formal.

“Meu sonho é viver do funk. Tenho que correr atrás. Temos que tomar os cuidados por causa desse vírus, mas não podemos deixar os nossos sonhos morrerem”, afirma MC F 8. 

 

Renan Omura

Jornalista, correspondente de Suzano desde 2019. É autor do livro-reportagem Caputera: chacinas em Mogi das Cruzes e finalista do 12° Prêmio Santander Jovem Jornalista. Apaixonado pela escrita, acredita que a comunicação é uma ferramenta para diminuir as lacunas sociais.

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