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Na zona norte de SP, 'Daniel Normal' usa material reciclável para criar máscaras artísticas

O trabalho de Daniel já foi apresentado em clipe do rapper Rincon Sapiência; apesar da quarentena, o artista segue na produção das máscaras

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Por: Lucas Veloso

Notícia

Publicado em 21.08.2020 | 11:38 | Alterado em 22.11.2021 | 16:32

RESUMO

O trabalho de Daniel já foi apresentado em clipe do rapper Rincon Sapiência; apesar da quarentena, o artista segue na produção das máscaras

‘Vem jogando com malícia / Faz a cara de malícia / Desce e sobe com malícia / Mete dança com malícia’. Os versos são do rapper paulistano Rincon Sapiência. No clipe que acompanha a música Malícia, lançada em julho, aparece o trabalho de Daniel Normal, nome artístico de Daniel Nicolas dos Santos, 28. 

A máscara usada por Rincon foi confeccionada pelo artista visual e arte-educador Daniel, criado em São Mateus, na zona leste, e atualmente morador do Tremembé, na zona norte. 

Daniel começou a trabalhar com as máscaras para sair um pouco da produção bidimensional. “Só fazia pinturas e gravuras, trabalhando com elas seriam eu me ‘arriscando na escultura’”, lembra. 

A primeira obra foi criada na tentativa de formar uma narrativa visual através de uma foto, também conhecida por foto-performance. 

Em média, leva um ou dois dias para finalizar cada máscara. “Tenho uma urgência de ver elas ganhando vida logo”. Desde o início da quarentena, em março deste ano, foram 25 máscaras feitas. Ao todo, produziu 45. 

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Por enquanto, a forma que encontrou de arrecadar dinheiro com as máscaras foi por meio dos prints, impressões em boa qualidade das performances para câmera. As encomendas também funcionam para ele.

Uma das características do trabalho é a influência do continente africano. “A referência das máscaras africanas é bem notável em muitas das máscaras. Piro muito na estética do afrofuturismo também”, comenta. “Identidade é o tema central do meu trabalho, principalmente a minha. Sendo um homem negro, isso passa por tudo que produzo”. 

Ao falar sobre os materiais utilizados, Daniel resume em ‘utilizo sobras’. Ele acrescenta que tudo que é excesso e seria descartado são matérias primas para criar as obras. Além disso, coisas que encontra na rua ou que foram guardadas em casa há anos atrás, como caixa de ovos, folhas e peças de roupas. “Tenho tendência ao acúmulo”, acrescenta. 

O artista diz que o uso dos resíduos recicláveis instiga as pessoas, já que os materiais são usados para outro propósito que não o convencional. Também ressalta que existem outras pessoas que se utilizam do reuso em suas produções, seja nas artes visuais, na moda, cenografia, dentre outras áreas. 

Em suas palavras, a preocupação com a reutilização está ligada com a reciclagem. “Onde existe consciência ambiental, existe reuso de materiais”. 

REFERÊNCIAS E EXPOSIÇÃO

Para buscar ideias e referências visuais para o trabalho, o artista costuma usar o Instagram. O espaço também permite que Daniel encontre outros artistas das periferias na produção de obras, além de vivenciar processos artísticos que o ajudam. 

Para os próximos meses, o artista diz que pretende dar oficinas por conta própria, já que hoje ensina outras pessoas por meio de atividades em centros de cultura. 

Daniel também já participou de exposições coletivas, mas com suas pinturas e gravuras. Com as máscaras ainda não teve a oportunidade de exibir em uma mostra, mas diz que precisa pensar de que maneira faria. “Preciso pensar como viabilizar isso de forma independente ou conseguir alguma parceria”. 

Lucas Veloso

Jornalista, cofundador e correspondente de Guaianases desde 2014.

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