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No Brasil, mais de 41 mil votam neste domingo (18) nas eleições gerais da Bolívia

Número de eleitores é reduzido em relação à população de bolivianos no Brasil, estimada em 300 mil

Enquanto a campanha eleitoral para prefeito e vereador começa a ganhar atenção, alguns bairros de São Paulo e da região metropolitana terão uma votação neste fim de semana, mas para decidir o futuro de outro país. Neste domingo (18) será realizado o primeiro turno das eleições gerais da Bolívia, com urnas em seis estados brasileiros e no Distrito Federal. 

Em São Paulo, a periferia da zona norte da capital e as cidades da região leste da Grande São Paulo concentram expressiva parcela da comunidade boliviana e terão o maior número de locais de votação. 

No dia 18, o povo boliviano vai eleger o novo presidente, deputados e senadoresDivulgação/Governo da Bolívia

A eleição será feita após a invalidação do pleito de 2019, por supostas irregularidades no processo eleitoral, e adiamentos em função da epidemia da Covid-19.

O consulado da Bolívia em São Paulo calcula que existam 300 mil imigrantes daquele país no Brasil, a metade sem documentos legais. Desse total, apenas 41.682 eleitores estão habilitados para a eleição.

O estado paulista tem o maior número: 40.342, segundo o TSE (Tribunal Supremo Electoral) boliviano. Nas demais unidades da federação, a participação reduzida também acontece: Rondônia tem 653 eleitores, Rio de Janeiro (241), Mato Grosso do Sul (210), Mato Grosso (116), Acre (48) e o Distrito Federal (72). 

A zona norte da capital e a Grande São Paulo terão sete postos de votação: Santana, Casa Verde, Jardim Brasil, Carapicuíba, Guarulhos (2) e Itaquaquecetuba. Os distritos centrais terão quatro locais, a zona leste receberá dois e a cidade de Bady Bassitt, na região de São José do Rio Preto, sediará uma unidade. 

Em função da pandemia da Covid-19, alguns espaços utilizados na última eleição foram substituídos. O pleito será no sistema de cédulas de papel e a apuração dos votos será feita no Brasil.

Mais de sete milhões de bolivianos são esperados na votaçãoDivulgação/Governo da Bolívia

O TSE estima que mais de 7 milhões de pessoas, na Bolívia e no exterior, comparecerão às urnas para a eleição do presidente e vice do país, além de 36 senadores e 130 deputados. 

Segundo a regra eleitoral,  vencerá no primeiro turno o candidato presidencial que receber mais de 50% dos votos válidos ou então se atingir o mínimo de 40% e uma diferença de 10% sobre o segundo colocado. 

O resultado oficial deve ser divulgado em até sete dias e, se necessário, o segundo turno será em 29 de novembro.

CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA: 
Carlos Mesa –  CC Comunidad Ciudadana 
Chi Hun Chung –  FPV Frente para La Victoria
Feliciano Mamani – PAN-Bol
Fernando Camacho –  Creemos   
Luis Arce – MAS Movimiento al Socialismo 
María Bayá –  ADN Accion Democratica Nacionalista  
* Tuto Quiroga – Libre 21 (anunciou a desistência da candidatura, porém o TSE boliviano não confirmou oficialmente essa informação até o fechamento da matéria) 

BOLIVIANOS NO BRASIL

O engenheiro Teddy Espinoza, 61, é membro do Cades (Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e Cultura de Paz) na subprefeitura Santana/Tucuruvi, tem dupla nacionalidade e atua junto à comunidade boliviana. 

Teddy Espinoza é conselheiro municipal e atua com a comunidade bolivianaDivulgação

Há 40 anos no Brasil, ele votou em todas as eleições realizadas aqui e opina que a participação popular só não é maior pela situação irregular dos imigrantes. “A maioria está ilegal no Brasil e tem medo da deportação, daí não votam, deixam de procurar os postos de saúde, a educação, creche para os filhos e se submetem ao trabalho escravo”. 

Para o conselheiro municipal, a solução poderia ser simples, com a isenção ou cobrança simbólica das taxas para a obtenção de documentos. São valores altos, principalmente quando se fala de famílias com quatro ou cinco pessoas”, argumenta.

A costureira Maria*, 34, se enquadra no perfil traçado pelo conselheiro municipal. Tímida e um pouco assustada, pediu anonimato à reportagem da Agência Mural, pois não tem documento brasileiro. 

Natural de Oruro, ela chegou há cinco anos a São Paulo, com o marido e quatro filhos, e, mesmo sem qualquer experiência na costura de roupas, logo arrumou um emprego informal nesse ramo. 

Todo dia, o casal sai do Jardim Brasil, na periferia da zona norte, para a oficina, no Pari. “Com essa pandemia, o trabalho diminuiu e o dinheiro mal dá pra passar o mês”, reclama. 

Sobre a eleição geral na Bolívia, ela diz não se interessar, apesar de morar próximo a um posto de votação. “Tenho muito a fazer e trabalhar, não confio nos políticos”, alega. 

Já o frentista Luis Fernando Alcoba, 22, chegou ao Brasil ainda bebê e confessa não ter ligação com a Bolívia. Ele mora no Jardim Fontalis, também na periferia da zona norte, com os pais e três irmãos pequenos e fala que não sabia que a eleição seria neste domingo (18), apesar de ter direito ao voto.

O frentista Luis Fernando Alcoba chegou bebê ao Brasil e não se interessa pelas eleições bolivianasSidney Pereira/Agência Mural

 “Eu não estava ligado nisso,  tenho pouco interesse na política. Meus pais também nunca votaram aqui no Brasil. A gente só acompanha as notícias pelos parentes que moram lá”, justifica. 

Questionado sobre um possível retorno ao país de origem, ele rejeita. “As oportunidades de trabalho são poucas, por isso tanta gente sai da Bolívia. Eu consegui esse emprego de frentista e meus pais têm trabalho aqui, numa oficina de costura no Brás. Também quero prestar o Enem e cursar uma faculdade na área da Saúde. Minha vida é aqui”, revela. 

ELEIÇÕES GERAIS DA BOLÍVIA NO BRASIL

Data: 18/10/2020
Horário: das 8h às 17h
Documento básico necessário: cédula de identidade boliviana

LOCAIS DE VOTAÇÃO

São Paulo:
– Escola Estadual Província de Nagasaki – Rua Dorandia, 158 – Jardim Brasil
– Escola Estadual Vereador Antonio Sampaio – Rua Voluntários da Pátria, 733 – Santana
– Escola Estadual Professor Benedito Tolosa – Praça Dirceu de Lima, 617 – Casa Verde
– Escola Orestes Guimarães – Rua Canindé, 153 – Canindé
– Instituto de Ciência e Tecnologia de São Paulo – Rua Pedro Vicente, 625 – Canindé
– Museu da Polícia Militar – Rua Dr. Jorge Miranda, 308 – Luz
– Centro de Integração e Cidadania do Imigrante – Rua Barra Funda, 1020 – Barra Funda
– Escola Municipal Anália Franco Bastos – Avenida Ariston Azevedo, 20 – Catumbi
– Escola Estadual Walter Belian – Rua São Sérgio, 33 – Jardim Santa Adélia
Carapicuíba:
– Escola Municipal Nai Molina do Amaral – Rua Serra das Agulhas Negras, 199 – Jardim Planalto

Guarulhos:
– CEU Parque São Miguel – Rua Joaquim Moreira, s/nº – Parque São Miguel
– Escola Professora Silvia de Cassia Matias – Rua Conceição da Barra,  s/nº – Taboão

Itaquaquecetuba:
– Escola Estadual Homero Fernando Milano – Av. João Barbosa de Moraes, 157 – Vila Zeferina

Bady Bassitt:
– Escola Municipal Nice Beolchi Nunes Ferreira – Rua Indalécio Thomaz de Aquino, 2315 – Água Limpa

Sidney Pereira

Formado em Comunicação Social pela FAAP e correspondente da Vila Maria desde 2014. Atua nas áreas de Marketing e de Assessoria de Imprensa. Amante de esportes e turismo, sempre procurar acompanhar eventos esportivos nas viagens de férias.

Vila Maria, São Paulo

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