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Opinião: Não há paredes entre a capital e as demais cidades da Grande SP

Governo do Estado decidiu que capital deve ter reabertura e uniu todas as 38 cidades em uma conta só, como se fosse possível

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Por: Paulo Talarico

Opinião

Publicado em 28.05.2020 | 18:03 | Alterado em 02.06.2020 | 12:31

RESUMO

Governo do Estado decidiu que capital deve ter reabertura e uniu todas as 38 cidades em uma conta só, como se fosse possível

Tempo de leitura: 2 min(s)
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Único sinal de que Osasco acaba para chegar em São Paulo é um arco @Paulo Talarico/Agência Mural

A capital paulista faz parte da Grande São Paulo. Parece óbvio, mas o Governo do Estado decidiu nesta semana que existe o oposto. A cidade de São Paulo deve ser contada sozinha, enquanto o restante da região metropolitana vira uma soma à parte. 

Ao definir os critérios para a reabertura do comércio, a gestão estadual criou cinco faixas: a vermelha impõe as medidas mais extremas, e a laranja possibilita a abertura de alguns serviços não essenciais. 

No entanto, a Grande São Paulo foi a única das 17 regiões do estado a ter uma cidade destacada das demais. A ação levou a reclamação de vários prefeitos e, neste caso, com razão. 

A primeira questão é o quanto a Covid-19 já está equacionada em qualquer um dos 39 municípios da Grande São Paulo. As taxas seguem crescendo em todas as cidades. 

O governo estadual diz que leva em conta o grau de ocupação dos hospitais, mas pela primeira vez criou uma distinção entre a capital e os outros 38 municípios. Pior, soma todos as 38 cidades sem levar em conta a realidade de cada uma. 

Nessa contabilização, afirma que há em São Paulo 75% de vagas em leitos, o que possibilita essa reabertura, enquanto a média da região metropolitana está em 92%. Mas isso signfica dizer que as 38 cidades são uma só e a capital não. 

Significa que os mais de 141 km que separam Salesópolis e Pirapora do Bom Jesus são uma metrópole só, mas a capital que está no meio delas não existe. Nem mesmo as sub-regiões foram consideradas nesse levantamento. Quem é de Osasco, na região oeste, está na soma de Mogi das Cruzes, no Alto Tietê, no mesmo balaio do ABC, da região sudoeste e da norte. 

A grande questão é que se seguir a geografia que sempre existiu, a ocupação dos leitos está em 88% na Grande São Paulo, contando a capital, perto dos 90%. Vários hospitais municipais paulistanos, por sinal, estão nessa situação de lotação. 

A abertura só na capital preocupa também porque quem está nas cidades tende a ir para São Paulo, nos únicos locais que estarão abertos. Pegarão trens para ir trabalhar, pegarão ônibus intermunicipais, e, assim por diante, irão se expor ao vírus. 

Afinal se a situação é ‘mais grave’, segundo o governo, nas cidades vizinhas da Grande São Paulo, como segurar o vírus que irá circular nesses trajetos? 

Há uma ansiedade pela retomada da economia, mas criar uma geografia específica como se fosse possível por uma redoma (uma cúpula de vidro que feche a  capital para as demais) é ilusão. Pior, causa receio no quanto sabemos mesmo do que tem sido feito no combate dessa pandemia. 

Paulo Talarico

Editor-chefe e cofundador da Agência Mural, é formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu e em História pela Universidade de São Paulo.

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