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Nas vésperas da reabertura da capital, Grande SP chega a 5,3 mil mortes por Covid-19

A partir do dia 1º de junho, cidade de São Paulo terá mudanças na quarentena; cidades vizinhas questionam medida apenas da capital

Nas vésperas do anúncio do governador João Doria (PSDB) sobre a reabertura de parte dos comércios na capital, a Grande São Paulo ultrapassou a marca de 5 mil mortes por conta do novo coronavírus e chegou a quase 70 mil casos da enfermidade.

Em sete dias foram 16 mil exames positivos e mais de 800 perdas por conta da Covid-19. Além disso, a subnotificação e as dúvidas sobre quem realmente está contaminado permanecem em vários municípios. Levantamento da Agência Mural mostra ao menos 50 mil casos ’em investigação’.

O governo estadual, contudo, determinou o início da abertura e criou cinco faixas de acompanhamento. Nível máximo de fechamento (vermelho), abertura controlada (laranja), flexibilização (amarelo), abertura parcial (verde) e controlado (azul).

A partir de 1º de junho, a cidade de São Paulo deixa de fazer parte da faixa vermelha, o mais rigoroso e vai para a faixa laranja com “retomada com restrições a comércio de rua, shoppings, escritórios, concessionárias e atividades imobiliárias”.

As demais cidades da região metropolitana permanecem com a situação mais rigorosa. O governo do estado afirma que levou em conta a capacidade hospitalar e o avanço do número de casos, e que as medidas serão acompanhadas toda a semana. 

No entanto, a medida trouxe questionamento em todas as regiões da Grande São Paulo, por excluir apenas a capital das demais de 39 cidades. Argumentam que cada cidade tem um perfil particular sobre o avanço da doença.

Alguns gestores apontam que os municípios estão em situação menos grave do que a dos paulistanos e que a abertura levará moradores dessas cidades até a capital para trabalhar ou consumir, quebrando o isolamento social.

Antes da decisão, a capital paulista registrou 3.421 mortes por conta da Covid-19 – quase 28 por 100 mil habitantes. Apenas quatro das 38 cidades vizinhas registraram proporcionalmente mais perdas: Osasco (42), Barueri (28), Santa Isabel (31) Francisco Morato (28).

No caso do número de casos, a capital registrou 423 doentes com Covid-19 para cada 100 mil habitantes, atrás apenas de Osasco (423) e de São Caetano do Sul (600). 

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“Não há sentido liberar a cidade de São Paulo para fase 2 e manter a nossa região na Fase 1”, afirmou o prefeito de Itapevi, Igor Soares (Podemos). “Grande parte da população de Itapevi trabalha em São Paulo, ou seja, a movimentação e circulação de pessoas vai acontecer, com ou sem abertura parcial dos comércios”.

O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB), disse que não é possível retirar apenas a capital da região metropolitana para analisar os dados e somar os casos de uma cidade com as demais 38.

Ele cita que a cidade teve oscilação no número de leitos entre 61% e 73%, enquanto na capital variou de 85% até 92%. O prefeito lembrou as frases de que as medidas seriam baseadas na ciência, repetida pelo governador desde o começo da pandemia. “Também vou exigir que a ciência seja seguida”, disse. “Ou a cidade de São Paulo tem que continuar na quarentena ou temos direito de sair primeiro. Acho perigoso. Mas não dá para ser injusto.”

A situação varia de município para município. Em Guarulhos, a prefeitura anunciou que atingiu mais de 100% da capacidade de atendimento na UTI, mas que não houve colapso, pois iniciou a parceria com leitos das unidades privadas de saúde. 

Quando se contabilizam os dados por região da Grande São Paulo, nenhuma está acima dos dados da capital. A região metropolitana é dividida nas sub-regiões oeste, sudoeste, norte, leste e Grande ABC.

No Alto Tietê, o Condemat (Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê), composto por 10 cidades da Grande São Paulo, entre elas Guarulhos e Mogi das Cruzes, entrou com um pedido de revisão das medidas e afirmou que estuda entrar com medidas legais para garantir a flexibilização. 

Apesar do anúncio do Governo do Estado e o início e a flexibilização na capital, as medidas de distanciamento ainda são consideradas importantes para evitar o avanço da Covid-19. A gestão afirma que os casos poderiam ter chegado a 1 milhão no estado se não tivessem sido adotadas as ações de distanciamento. 

Paulo Talarico

Editor-chefe de jornalismo, cofundador e correspondente de Osasco desde 2011. Formado em jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, tem pós-graduação em jornalismo esportivo e curso técnico de locução para rádio e TV. Atualmente, estuda História na Universidade de São Paulo. Gosta de café, Osasco, livros, futebol e cinema.

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