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O isolamento na Cohab de Carapicuíba; ouça o podcast

Até 1º de junho a cidade registrava mais de mil casos de Covid-19, a maior parte deles na Cohab

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Notícia

Publicado em 03.06.2020 | 21:43 | Alterado em 29.09.2020

Tempo de leitura: 4 minutos

Mais de 400 mil pessoas vivem em Carapicuíba, cidade localizada na região oeste da Grande São Paulo, próxima de Osasco e Barueri

Até 1º de junho, o município registrou 1.109 casos de pessoas contaminadas pela Covid-19. E a Cohab era o bairro mais afetado, com 32 casos confirmados da doença, até o dia 18 de maio. 

O Em Quarentenaconversou com moradores da Cohab para entender como está sendo o isolamento nos conjuntos habitacionais, que são bem populosos e têm como principal característica prédios baixos com acesso aos apartamentos somente por escadas.

Denis vive no bairro há 20 anos e divide o apartamento com a mãe e o irmão, que estão no grupo de risco. Ele falou como a quarentena afetou a rotina de sua família.  

“Complicou bastante. A gente evita sair. Aqui em casa aumentou bastante o uso de aplicativo para comida, mercado e essas coisas. Tudo para evitar ao máximo possível sair de casa”.  (ouça a partir de 01:39)

Ele disse que acredita que um dos motivos que leva as pessoas a não respeitarem o isolamento social são as fakes news, que fazem com que elas critiquem as emissores e não acreditem nas informações e nos jornais.

“Elas acham que as notícias são mentiras e tentam seguir a vida normal. Confesso que fico triste porque vejo muito conhecido desacreditando, mesmo tendo acesso à internet e todo tipo de informações possíveis”. (a partir de 01:59)

Denis enfatizou também que o número de moradores nos prédios na Cohab é outro ponto que dificulta o cumprimento do isolamento social. 

“São 40 apartamentos, cada um com três habitantes dentro. Mais de 100 pessoas por prédio fácil. E são essas mesmas 100 pessoas que vão dividir o portão de entrada e os mesmos corrimãos para ter acesso aos seus apartamentos”. (ouça em  02:49)

Estela Alves é arquiteta, urbanista e pesquisadora na USP. Ela compartilhou uma opinião parecida com a do Denis sobre a dificuldade de ficar isolado em apartamentos tão pequenos como os da Cohab.

“Com certeza isso é um empecilho para o isolamento social efetivo. Quem mora em apartamentos maiores ou tem opções de outras casas pode fazer com que uma pessoa que fique doente vá para outro local. No caso da Cohab, as pessoas ficarão todas juntas”. (em  03:23)

A arquiteta reforçou também que, apesar de famílias numerosas morar em locais pequenos ser de fato um problema que dificulta o combate ao coronavírus, existem situações que são ainda piores. Como, por exemplo, as muitas pessoas que vivem em favelas e em situação de rua. 

Denis completou dizendo que o sistema não liga para a periferia. “A periferia já é esquecida por natureza pelo sistema e com essa pandemia, e tudo mais, ela vai seguir esquecida mais ainda. Vai continuar sendo esquecida”. (em  04:06)

A professora Ghislene, que mora em São Daniel, bairro próximo à Cohab, falou que está preocupada com o aumento de casos nos conjuntos habitacionais.

“Conheço pessoas da Cohab que infelizmente não conseguiram vencer o vírus e faleceram. É muito triste essa situação. Fiquei extremamente preocupada com tudo isso, em saber que a gente não está fora do risco. Qualquer um está sujeito a pegar”. (em  04:37)

Ela também disse que está comprometida com o isolamento social e seguindo todas as orientações de segurança. “Eu faço assim, como sou dona de casa também, quando preciso ir ao mercado ou açougue vou de máscara”. (em  05:47)

De acordo com um levantamento da Agência Mural, publicado na Folha de São Paulo, assim como em Carapicuíba, outras cidades próximas também apresentam maior incidência de coronavírus em bairros da periferia.

Até o dia 26 de maio eram 5.320 mortes na região metropolitana de São Paulo, sendo 1.899, ou seja 35%, só nas cidades vizinhas à capital.

Além disso, foram entregues três equipamentos para o combate à doença: um centro de enfrentamento, um hospital de campanha e um Centro de Acolhimento e Apoio ao Isolamento Social.

A prefeitura de Carapicuíba criou o “sac coronavírus”, que é um Whatsapp para as pessoas tirarem dúvidas sobre o que fazer caso apresentem sintomas parecidos com a doença, e quando procurar uma unidade de saúde. O número deste saque é  11 9 6909 53 79. E o atendimento é de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas. 

O episódio foi encerrado com um recadinho da professora Ghislene. “A gente tem que ter essa consciência de fazer esse isolamento para conter esse vírus e assim, ele começar a sumir de nossa região, para ele começar ir embora do nosso estado e do nosso país”. (em  07:36)

Ouça este bate papo completo no Em Quarentena #46: O isolamento na Cohab de Carapicuíba.

Podcast Em Quarentena

Viver em meio ao coronavírus não deve estar sendo fácil para ninguém. Imagina então para quem vive nas periferias. 

O “Em Quarentena” é o podcast especial que a Agência Mural de Jornalismo das Periferias criou neste momento da pandemia. Queremos informar, com notícias do dia a dia, quem mais precisa se virar meio a esse caos.

Você pode receber o podcast diretamente no seu Whatsapp, enviando um “Oi” para +55 11 9 7591 5260. Ouça também no Instagram, Youtube, Spotify, Deezer, Apple e Google Podcast.

Redação

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