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3 em cada 10 paulistanos reclamam dos vizinhos barulhentos durante a pandemia; ouça o podcast

O dado é da pesquisa “Viver em São Paulo: especial pandemia II” realizada online com pessoas das classes A, B e C que moram na capital paulista

Para a maioria dos internautas paulistanos, o barulho dos vizinhos tem sido a principal dificuldade na rotina em casa durante o isolamento social. 

Isso foi o que mostrou a pesquisa “Viver em São Paulo: especial pandemia II” que foi divulgada no dia 9 de junho pela Rede Nossa São Paulo em parceria com Ibope Inteligência. 

O estudo foi realizado online com pessoas das classes A, B e C que moram na capital paulista. Para 26% delas, uma vizinhança barulhenta tem sido a parte mais difícil nessa rotina em casa por causa do coronavírus

 O Em Quarentena” conversou com moradoras das periferias para saber quais são as maiores dificuldades de suas rotinas. 

A jornalista Larissa Darc contou que para ela a maior questão é que os vizinhos também estão de home office, o que tem tirado um pouco de sua paz. Ela relatou que seus vizinhos do lado são professores e um deles está fazendo vídeo aulas de educação física justo na janela de frente para seu quarto.  

“Então, enquanto ele está gritando com as crianças e elas gritando de volta, estou no meu quarto tentando fazer reunião com 20 pessoas numa videochamada que trava o tempo todo ou tentando escrever um texto”. (ouça a partir de 01:18)

Larissa mora no Parque do Carmo, na zona leste de São Paulo, e compartilhou também que além de ter que conviver com o barulho das aulas no último volume, ainda precisa administrar os sons das cinco pessoas que moram com ela. 

“Eu moro com muitas pessoas, então tenho que administrar todo esse barulho e tentar não enlouquecer, enquanto eu trabalho de casa. É bem complicado”. (a partir de 02:09)

Outro dado da pesquisa apresentado neste episódio mostra que para 46% dos paulistanos garantir emprego ou renda é a principal medida que o poder público deveria tomar para aumentar a taxa de isolamento. 

Marlene é costureira e vive com o filho. Por ser chefe de família, ela teve direito a duas cotas do auxílio emergencial que o Governo Federal vem destinando desde maio aos autônomos e informais, recebendo assim R$ 1.200. Ela falou como tem sido viver com esse auxílio. 

“Suficiente não é. Imagina passar o mês com R1.200 reais para quem tem filho adolescente. Se for ver, não é suficiente. A gente passa apertado”. (ouça em 02:45)

No dia 19 de maio, em reunião com empresários, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o auxílio emergencial poderia durar mais meses, mas com valor de R$ 200, já que a vida de quem estava recebendo andava “boa” e “tranquila”. 

Marlene não tem a mesma opinião que o Ministro. Ela enfatizou que o povo está sofrendo e que tem gente em situação ainda mais desfavorável do que ela. 

“Imagina um pai de família com a casa cheia de filhos pequenos e pagando aluguel. Esse valor mal dá para pagar o aluguel. Só de água, luz e internet, que a gente tem que ter porque nossos filhos estão estudando online, a gente gasta mais de R$ 300 só com isso. Mais o mercado”. (em 03:09)

Como muitos brasileiros, Marlene sente muita incerteza sobre o futuro, porque o auxílio vem sendo sua única fonte de renda no momento.

“Eu preciso trabalhar. Mas também acho que agora vai ser difícil o pessoal encomendar roupas, está todo mundo quebrado. Não sei não. Nosso amanhã está incerto”. (em 03:48)

Além disso, o levantamento revelou que 9 em cada 10 paulistanos acreditam que a pandemia deixou claro que a cidade de São Paulo precisa investir na redução das desigualdades.

Se você quiser saber mais sobre a pesquisa “Viver em São Paulo: especial pandemia” é só acessar: nossasaopaulo.org.br.

Você pode conferir ainda matérias especiais sobre o assunto no site 32xSP.org.br, parceria da Agência Mural com a Rede Nossa São Paulo.

Ouça este bate papo completo no Em Quarentena #49: 3 em cada 10 paulistanos reclamam dos vizinhos barulhentos durante a pandemia.

Podcast Em Quarentena

Viver em meio ao coronavírus não deve estar sendo fácil para ninguém. Imagina então para quem vive nas periferias. 

O “Em Quarentena” é o podcast especial que a Agência Mural de Jornalismo das Periferias criou neste momento da pandemia. Queremos informar, com notícias do dia a dia, quem mais precisa se virar meio a esse caos.

Você pode receber o podcast diretamente no seu Whatsapp, enviando um “Oi” para +55 11 9 7591 5260. Ouça também no Instagram, Youtube, Spotify, Deezer, Apple e Google Podcast.

Redação

A Agência Mural de Jornalismo das Periferias tem como missão minimizar as lacunas de informação e contribuir para a desconstrução de estereótipos sobre as periferias da Grande São Paulo.

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