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Com mais medidas restritivas, SP fica proibida de ter cultos, aulas e partidas de futebol

Medidas fazem parte do Plano SP, criado para monitorar o avanço da pandemia no estado; medidas vem por conta do aumento da ocupação de leitos
Medidas preveem fechamento do comércio | Léu Britto/Agência Mural

Até 30 de março, o estado de São Paulo entra em nova fase emergencial do Plano SP. As novas regras passam a valer a partir desta segunda-feira (15). Foi anunciada a suspensão de cultos, missas e outras atividades religiosas coletivas, além de todos os eventos esportivos, como partidas de futebol. 

O anúncio também criou o toque de recolher entre 20h e 5h. Um dos argumentos para implementação das medidas é que podem tirar cerca de 4 milhões de pessoas de circulação nas ruas do estado.

De acordo com o governador João Doria, em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira, o objetivo é diminuir os riscos de colapso no sistema de saúde, após uma escalada nos números de casos e óbitos na região. 

Lojas de materiais de construção, por exemplo, que estavam na lista dos serviços essenciais foram excluídos e não podem funcionar nas próximas semanas. A retirada presencial de mercadorias em comércios e restaurantes também foi proibida e apenas serviços de delivery podem operar.

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Sobre as escolas, o governo recomendou que a prioridade seja para o ensino remoto, mas permitiu que a rede particular opere com 35% da capacidade. Na rede pública, as unidades ficarão abertas apenas para merenda e retirada de chips para internet. O governo também antecipou o recesso para este mês. Professores têm apontado a dificuldade do começo das aulas e decretaram greve

Na coletiva, o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, disse que o estado enfrenta o pior momento da crise sanitária. “Hoje, 53 municípios estão com 100% na taxa de ocupação. Lembrando que na segunda-feira nós tínhamos 31 municípios nesta situação.”

DIFICULDADE NAS PERIFERIAS

Nas periferias da capital paulista, líderes comunitários veem com descrença as novas regras. De acordo com fontes ouvidas pela Agência Mural, os bairros das periferias terão dificuldades para aderir às medidas, por conta de problemas como moradia e saneamento básico. O isolamento se mostrou impraticável em casas apertadas com famílias numerosas. 

Além disso, a falta de renda tem se agravado. Sem auxílio emergencial ou outra fonte de dinheiro, nas redes sociais, os grupos de bairro concentram pedidos de itens básicos da alimentação, como arroz, feijão e açúcar, além de gás de cozinha. 

No começo da semana, quando teve início, a fase vermelha, lideranças comunitárias apontaram a dificuldade de manter o isolamento. Além dos moradores que tiveram baixa de renda, o impacto nos pequenos negócios sem crédito também são lembrados.

A vacinação por enquanto ainda está nos grupos prioritários. Cerca de 1 milhão receberam a primeira dose na Grande São Paulo – cerca de 5% da população. 

Lucas Veloso

Jornalista, cofundador e correspondente de Guaianases desde 2014.

Guaianases, São Paulo

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