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Agência de Jornalismo das periferias

Notícia

Publicado em 30.10.2021 | 16:53 | Alterado em 23.11.2021

Tempo de leitura: 4 minutos

Enquanto a volta dos torcedores aos estádios já movimenta o futebol brasileiro, o futebol amador de São Paulo também começa a viver um clima mais intenso.

Com a liberação dos CDC’s (Clubes Desportivos da Comunidade) desde agosto, espaço onde são realizados boa parte dos campeonatos de futebol de várzea, as torcidas retornaram às arquibancadas pouco a pouco, mesmo antes da autorização oficial.

A Seme (Secretaria Municipal de Esporte e Lazer) liberou os CDCs para a prática esportiva, mas nada impede que as pessoas entrem nas arquibancadas e assistam aos jogos.

Um dos mais importantes campeonatos da cidade, a Supercopa Pioneer, apelidada de Champions League da Várzea, está na reta final em São Paulo e terá a decisão em 7 de novembro entre o time do Sete Praias, do distrito Pedreira, zona sul, e o Área do Verde, do distrito Sacomã, da mesma região da cidade.

A final será disputada na Arena Inamar, estádio do time de futebol profissional Água Santa, em Diadema, na Grande São Paulo.

Sete Praias é um dos finalistas da Copa Pioneer @Super Copa Pioneer/Divulgação

Dentro de campo, o torneio tem buscado seguir protocolos e recuperar a força após um ano de interrupções. No túnel do CDC Parque Doroteia, também na zona sul, há um spray usado para desinfecção de jogadores e exigência de comprovante de vacinação.

“Os protocolos na nossa copa, desde a primeira reabertura sem público e depois com público, estão sendo seguidos, está dando certo”, diz Sergio Pioneer, criador da Super Copa.

Mas Sérgio admite que fora de campo é mais complicado e que é difícil manter todas as pessoas de máscara na arquibancada o tempo todo – o que também não tem sido seguido nas arquibancadas do futebol profissional.

A avaliação é a mesma de Eduardo de França Silva, 44, o França, diretor e auxiliar técnico do Marcone Futebol Clube. “É difícil controlar. Dentro (de campo) ainda consegue, mas, dependendo do campo, dá pra assistir de fora, aí não tem como controlar.”

O Marcone, time da Vila Maria, na zona norte de São Paulo, chegou até às quartas de finais desta edição da Supercopa e se coloca de vez entre os grandes times da várzea de São Paulo.

Com o avanço da vacinação e a queda no número de mortes pela Covid-19 no estado de São Paulo, a tendência é que as competições no mundo do futebol amador possam amenizar o impacto dos últimos anos nesse mercado.

“Os times que estavam muito tempo sem jogar e têm bastante torcida, eles (torcedores) vão em peso mesmo. Está tendo muito mais gente, brasileiros gostam de futebol, principalmente o futebol varzeano”, afirma França.

PESO ECONÔMICO

Com torneios que chegam a pagar R$ 100 mil em premiações para os times, as competições da várzea da Grande São Paulo movimentam um mercado que, além dos atletas, envolve marcas de camisa e outros produtos como bonés nas periferias.

Antes da paralisação, estádios como o Allianz Parque e o Pacaembu receberiam as decisões da Copa Pioneer e da Copa Martins Neto, torneio que apelidado de Premier League entre os times da cidade. Pouco antes, em 2019, a Taça das Favelas teve transmissão ao vivo na TV aberta da decisão.

Agora o cenário é diferente, a locação do estádio do Palmeiras foi transferida para a final da edição de 2023/24. O adiamento gerou prejuízos financeiros para a organização da Super Copa Pioneer e, segundo Sérgio, poderia ter sido pior caso o contrato fosse cancelado, pois haveria multa.

Copa da Rainha é um dos principais torneios femininos da várzea e tem tido jogos @Divulgação

“Foi difícil, o impacto financeiro foi muito grande”, pontua Adilson Morais, radialista e um dos organizadores da Copa Rainha, campeonato feminino de várzea tradicional que tem Thaís Nunes (Thaisinha), jogadora do Santos, como madrinha.

A copa teve início em 2 de outubro e conta com 32 equipes que, ao longo de oito fins de semana, disputam o “trono” e a premiação de R$ 5.000 oferecida pela organização. Os jogos serão realizados na Arena Vicente Cordeiro, no bairro de Santa Tereza, distrito de Pedreira, zona sul de São Paulo.

Para Adilson, da Copa da Rainha, a pandemia para o futebol feminino amador foi só mais um dos vários problemas de falta de incentivo para a modalidade.

“No futebol feminino os clubes passam por dificuldade o ano todo, com pandemia ou sem pandemia porque o apoio praticamente inexiste. O futebol feminino se alimenta hoje na periferia de iniciativas pessoais.”

A Copa Rainha será tema de um documentário da ONU sobre futebol feminino e que terá sua final transmitida ao vivo pela rádio Top FM (104,1) de São Paulo.

SOLIDARIEDADE E PANDEMIA

Durante a fase mais grave da pandemia, algumas equipes se uniram para conseguir alimentos e também produtos de higiene básica para as periferias.

“A várzea mostrou sua força, união e solidariedade. Houve um grande engajamento entre os clubes, entre as próprias organizações dessas copas que acabaram arrecadando alimentos.

Segundo ele, foram arrecadadas 43 toneladas de alimentos e R$ 40 mil em dinheiro. “Ajudamos jogadores que estavam necessitados, a arbitragem, fotógrafos, imprensa, o comércio em volta do campo”, explica.

Para ele, uma das maiores tristezas foi ver as arquibancadas vazias, o eco das vozes dos jogadores no campo e ter que proibir a torcida de entrar para assistir aos jogos, já a maior saudade para ele tem sido esse momento de retomada.

“A maior saudade que eu estou sentindo é dos amigos que perdi”, afirma.“Perdi 50 amigos para a Covid, mais ou menos, só da várzea acho que perdi de 15 a 20. Pessoas importantes na várzea, que deixam saudade”.

André Santos

Jornalista, entusiasta do carnaval, do futebol de várzea, de bares e cultivador assíduo da sua baianidade nagô! Correspondente do Jardim Fontalis desde 2017.

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