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De quarentena, jovem de Cidade Tiradentes relata cuidados e vê perguntas invasivas sobre coronavírus

Com suspeita de coronavírus, morador da zona leste deve ficar em casa por alguns dias; ele relata como foi o atendimento a impressão das pessoas ao redor

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Por: Lucas Veloso

Notícia

Publicado em 13.03.2020 | 16:25 | Alterado em 20.03.2020 | 17:37

RESUMO

Com suspeita de coronavírus, morador da zona leste deve ficar em casa por alguns dias; ele relata como foi o atendimento a impressão das pessoas ao redor

Tempo de leitura: 3 min(s)

Morador de Cidade Tiradentes, na zona leste, e usuário assíduo do Twitter, o estagiário em Publicidade Rafael Fernandes Bertoldo, 25, descobriu nesta quinta-feira (13) que deveria ficar em casa. Ele está de quarentena por conta de uma suspeita de covid-19, o novo coronavírus.

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Publicação nas redes sociais em que o estagiário avisa que está de quarentena

Rafael foi fazer o teste depois que sua mãe comentou com uma assistente social que o filho teve contato com pessoas que ficaram próximas a alguns suspeitos do vírus. Segundo comentários que ouviu, no prédio em que trabalha, no bairro de Vila Nova Conceição, zona sul, há quatro casos confirmados.

Nele, o teste foi feito com cotonetes nos dois lados do nariz e na garganta. “Tenho que ficar em casa, recluso, usando máscara para não passar nada às pessoas de casa, se for o corona”, diz. “O resultado deve sair em quinze dias”.

De acordo com dados divulgados pelas secretarias estaduais de Saúde e pelo Hospital Albert Einstein nesta sexta-feira (13), o Brasil registrou cerca de 151 casos confirmados de covid-19.

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No estado de São Paulo, são 46 até o momento, sendo que 44 estão na capital, 1 em Ferraz de Vasconcelos e mais 1 em Santana de Parnaíba. Ao todo são 555 casos suspeitos da doença na região.

Apesar da apreensão dos vizinhos, Rafael afirma estar ‘suave’ com seu caso. Por outro lado, está preocupado a família.

Ele mora com pai e com a mãe, com 65 e 58 anos, respectivamente. “Eles são idosos. Meu medo é passar alguma coisa para eles, ainda mais porque eles já têm problemas respiratórios”, comenta.

Dentro de casa, além de usar máscara o tempo todo, Rafael está lavando as mãos com mais frequência. Nas próximas semanas não deve sair de casa para trabalhar ou estudar, além de não deixar que os amigos o visitem.

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Um dos itens obrigatórios para Rafael é o uso da máscara dentro de casa @Arquivo Pessoal

Depois que foi atendido por um médico, foi orientado a avisar nos grupos do trabalho e da faculdade que deveriam ficar de olho nos sintomas. Na sequência, disse ter recebido dezenas de mensagens com questionamentos. Para ele, alguns chegaram a ser invasivos. “Chegaram a falar ‘naquele dia que a gente se encontrou na lojinha, você já estava com o vírus? porque eu te cumprimentei’.

Para ele, o atendimento na UBS Inácio Monteiro foi ‘super de boas’. “Nunca me senti tão acolhido. A recepção, desde o início, foi excepcional, deixaram tudo muito claro e me tranquilizaram bastante”, completa.

Um dos elogios de Rafael é sobre o acompanhamento do caso. A equipe de atendimento da unidade prometeu ligar todos os dias para saber como está a situação. “Agora de tarde recebi a ligação de uma pessoa da UVIS [Unidades de Vigilância em Saúde] perguntando como eu e minha família estávamos”.

Na manhã desta quinta-feira (12), o governador João Doria (PSDB) anunciou mil novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no estado. A medida para combater o vírus inclui também a compra de novos equipamentos e medicamentos, além da contratação de mais profissionais de saúde.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico do coronavírus é feito após a coleta de materiais respiratórios, por meio de aspiração das vias aéreas ou pelo escarro. Quando há suspeita de coronavírus, é necessária a coleta de duas amostras.

Elas são encaminhadas para o Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública. Depois disso, uma das amostras deve ser enviada ao NIC (Centro Nacional de Influenza) e outra para análise de metagenômica.

Segundo o Ministério da Saúde, para confirmar a doença é necessário realizar exames de biologia molecular que detecta o RNA viral. O diagnóstico do coronavírus é feito com a coleta de amostra, que está indicada sempre que ocorrer a identificação de caso suspeito.

Ainda de acordo com a entidade, os casos graves devem ser encaminhados a um Hospital de Referência para isolamento e tratamento. Os casos leves devem ser acompanhados pela APS (Atenção Primária em Saúde) e instituídas medidas de precaução domiciliar.

Lucas Veloso

Jornalista, cofundador e correspondente de Guaianases desde 2014.

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