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Depois do álcool em gel, periferias sentem falta de botijão de gás nos postos de revenda

Na zona leste, moradores não encontraram o produto e em alguns postos de revenda preço subiu

A pedagoga Caroline Silva Santos, 33, mora em Cidade Tiradentes, na zona leste, e preparava uma torta no começo desta semana de quarentena. No entanto, teve que deixá-la do lado de fora do forno, pois havia acabado o gás. Ao pedir por um botijão na revenda do bairro, a resposta foi que não havia mais do produto.

Ela não foi a única que teve problemas do tipo na região. O ato de cozinhar passou a ser um tanto mais difícil nesta semana em meio aos cuidados para evitar a propagação do coronavírus.

Moradores da região não encontraram gás de cozinha nos pontos autorizados para a venda. O item básico está escasso em várias revendas da região – a situação também foi relatada em outras periferias da capital. 

Quem também passou pelo problema é a dona de casa Thaianne Diniz, 31, que pelo aplicativo constatou a falta do produto em todos os comércios do bairro e reclamou do preço que em alguns lugares chegou a até R$ 90. “Não tem gás. Pelo aplicativo não tem em nenhum lugar disponível”, reclama.

Crédito: Lucas Veloso/Agência MuralGás de cozinha está escasso em revendas da zona leste

A reportagem tentou contato pelo Whatsapp desde às 17h desta terça-feira (24) com uma das revendas da região, que informou que estava sem o produto e pedia para retornar o pedido na parte da tarde. Ligações telefônicas não foram atendidas. Ainda nesta quarta-feira (25), a reportagem tentou contato novamente pelo Whatsapp, no entanto sem sucesso novamente.

A falta do produto vem um momento de aumento de procura por conta do coronavírus. Os governos municipais e estadual têm reforçado que não há necessidade de fazer estoques. Também tem enfatizado a importância de evitar sair de casa para se proteger do contágio.

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Nos supermercados, porém, algumas mudanças têm sido sentidas. Diniz também percebeu aumento no preço de itens da cesta-básica como o arroz. “Antes cinco quilos eram R$ 10. Agora, a mesma marca e quantia está R$ 20 em vários mercados”, comentou.

A professora de ensino infantil Tainan Santos, 32, observou alguns exageros nas compras de consumidores de um dos mercados em atacado em Itaquera, bairro vizinho.  “Os carrinhos das pessoas estavam lotados, havia pessoas com 30 kg de arroz. Na saída vi uma mulher com mais de seis pacotes de papel higiênico sendo que cada pacote continha 12 rolos”, comentou ela que diz preferir fazer as compras no atacado pela economia.

Crédito: Agência BrasilÁlcool em gel está em falta em bairros da capital

ÁLCOOL EM GEL

Na semana passada, a Agência Mural mostrou como o álcool em gel estava em falta – em 88 estabelecimentos, apenas 13 tinham o produto.

A demanda por ele aumentou desde o anúncio da pandemia, pois ajuda na higienização das mãos, uns dos principais cuidados contra o contágio. 

Tainan usou o líquido para limpar os produtos antes de guardar nos armários. “No mercado também utilizamos álcool em gel por diversas vezes”, comentou ela.

Em um dos maiores mercados da Cidade Tiradentes, já não é mais possível encontrar nenhum tipo de álcool em gel. A direção informa que não há previsão para chegada.

O desalento da falta de encontro do produto se estende a uma das caixas do mercado que lamenta: “A gente está aqui todo dia. Se for para pegar isso, vamos pegar infelizmente”.

Para Ezaú Eduardo Azevedo Chaves, 31, que trabalhava com blindagem de automóveis na região do Tatuapé, também na zona leste da cidade, o medo da contaminação o fez pedir as contas do emprego. 

“Ficava muito exposto à doença. Aconteceu por duas vezes do vendedor visitar clientes com suspeita. Como tenho uma bebê de poucos meses achei melhor sair do trabalho”, afirmou. 

Ele mora com a esposa e a filha no Jardim São Jorge, no Butantã, na zona oeste, e começou a trabalhar com entregas de comida por aplicativo. “Tenho pouco contato com os consumidores”. 

“Um vizinho da minha mãe na Vila Jacuí [também zona leste] foi confirmado como positivo para coronavírus. Estamos muito preocupados”, ressalta.

*Alteração: Texto alterado às 20h19 para colocar que os botijões não estavam disponíveis nos postos de revenda, em vez de supermercados, como publicado inicialmente.

Giacomo Vicenzo

Jornalista, correspondente da Cidade Tiradentes desde 2018. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação social. Iniciou sua carreira profissional no Datafolha, já publicou no UOL TAB e Revista Galileu. Gosta de contar e ouvir boas histórias. Adora seus gatos de estimação e não consegue viver sem senso de humor.

Cidade Tiradentes, São Paulo

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