Acontece na Escola: Moradores do Grajaú participam de projetos para a melhoria de escola

Sanzia Regina
Colaborou Lara Deus

A Escola Estadual Carlos de Moraes de Andrade, localizada no Grajaú, extremo sul de São Paulo, exerce não apenas a função tradicional de uma escola, de ensinar e aprender dentro da sala de aula. Há 26 anos, nascem lá projetos que incluem e levam cultura à comunidade e os moradores do entorno. Entre eles, estão uma escola de futsal e um projeto de grafite de seus muros.

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Um dos projetos mais famosos que surgiram na escola é o Kuma Futsal que, desde 1992, dá aulas do esporte e ajuda jovens periféricos a seguirem seus sonhos nesta área. E ele só acontece por causa da parceria que tem com a diretoria. “Hoje em dia é muito difícil ter projetos dentro de escolas, que na maioria das vezes são detonadas, destruídas, ou até porque o próprio diretor não quer abrir”, opina o professor Armando Manoel, fundador do projeto.

“Não trabalhamos com mensalidade, trabalhamos mesmo com amor. Fazemos campeonatos em outras regiões, a maioria dos nossos atletas estão inseridos dentro de clubes, temos parcerias, atletas profissionais que jogam no Sul, atletas menores também jogam em clubes daqui como São Paulo, AABB, Corinthians, Taboão Da Serra”, exemplifica Armando.

Leia a série de reportagens sobre o que Acontece na Escola.

Neste projeto, muitos jovens alcançaram seu objetivo e estão se profissionalizando em clubes brasileiros. O exemplo mais notável é Raul Da Silva, que começou com 9 anos, foi jogar no Banespa na categoria de menores, depois foi para a Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), jogou no São Paulo, quando atingiu a maioridade jogou no Barueri, Osasco e agora joga em um time profissional do Sul do País.

Colaboradores do projeto Kuma Futsal preparando o muro para o projeto do Grafite, onde os grafiteiros da região iriam refazer o nome da escola que estava totalmente apagado. (Paula Alves/Arquivo)

Além do futsal, o professor também busca oferecer lições de vida para os alunos. “Eu reforço muito para os pais ideias como ‘se vocês nunca inserirem seus filhos para os sonhos deles ninguém nunca irá reconhecer”, afirma ele.

Colorindo os muros

Dentre outros projetos, a escola também exerce um projeto anual de grafite, com artistas do bairro e a parceria dos alunos da própria escola. E como ele surgiu? Sônia Regina, mãe de aluna e vice-presidente do Kuma Futsal, explica: “Todos os anos nós reformamos a escola. No ano de 2016, minha filha estava começando a grafitar e teve a brilhante ideia de fazer uma arte coletiva.  Preparamos o muro com a ajuda de nosso atletas e no outro dia eles fizeram o grafite com o nome da escola. Há uns anos atrás fizemos outro projeto beneficente na escola toda e foi lindo”.

Daniel Alves, aluno do oitavo ano, aprova o projeto: “Os desenhos não deixam [o espaço] muito clássico, deixam um clima legal”.

O aluno do terceiro ano do ensino médio Luan Martins aprova o projeto e as iniciativas de grafitar os muros. No entanto, aponta melhorias que poderiam ocorrer na escola. “Sou estudante daqui desde 2009 e a estrutura não mudou nada praticamente. Desde quando entrei aqui a situação sempre foi precária e necessita sim de uma reforma geral”, reclama ele.

Atletas do projeto Kuma Futsal reformando a cor da quadra onde utilizam. (Erickson Câmara/Arquivo)

O diretor da escola, Paulo Cesar Valeriano, assumiu este ano e lista algumas melhorias que aconteceram no período. “Nós não tínhamos água. Cheguei aqui sabendo que há mais de cinco anos ocorria este problema e consegui resolver este ano. Víamos o pátio, as escadas que não tinham iluminação alguma e consegui também arrumar esta questão da luz, que é prioridade”, exemplifica. No entanto, ele acredita que para haver mais melhorias, a participação das famílias é essencial.

“Quando nós precisamos dos pais uma vez a cada bimestre na reunião de pais nós só vemos três pais presentes, sendo que temos 40 alunos frequentes. Entendo que o trabalho é necessidade de sustento mas eles precisam participar”, pede Paulo. Ele apoia a ideia de colorir a escola com grafite, mas apenas em algumas partes da escola.

Sanzia Regina é estudante da 3ª série do ensino médio na escola estadual Carlos de Moraes Andrade
Lara Deus é correspondente de Pirituba

Essa reportagem foi produzida por um participante do programa de bolsa de jornalismo Acontece na Escola da Agência Mural, no qual estudantes do ensino médio de escolas públicas da região metropolitana de São Paulo produzem conteúdo jornalístico sobre temas do cotidiano escolar. A iniciativa integra o projeto Mural nas Escolas.

 

Karol Coelho

Editora de Projetos Especiais, é jornalista, cofundadora e correspondente do Campo Limpo desde 2010. Colaborou com a criação da Escola Comunitária de Comunicação da Escola de Notícias, no Campo Limpo, zona sul de São Paulo. Escreve poesias e tem um livro chamado "Estado Atmosférico", que produziu de maneira independente. Na Mural, também apresentou o Rolê Na Quebrada e o PodePá!.

Campo Limpo, São Paulo

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