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Agência de Jornalismo das periferias

Por: Jessica Bernardo

Notícia

Publicado em 14.04.2022 | 22:15 | Alterado em 15.04.2022 | 10:20

Tempo de leitura: 4 min(s)

Para o presidente da CUFA (Central Única das Favelas), Preto Zezé, 46, já passou da hora da favela ser vista como potência. “Antes da pandemia, a favela estava produzindo R$ 119 bilhões em poder de consumo, isso é o PIB [Produto Interno Bruto] do Paraguai e da Bolívia juntos”, cita o empreendedor.

Co-idealizador da Expo Favela, ao lado de Celso Athayde, ele acredita que o evento – que ocorre nos dias 15, 16 e 17 de abril, em São Paulo – possa ser a ponte para que as pessoas “do asfalto” vejam a força das periferias.

Em entrevista à Agência Mural, ele conta como surgiu a ideia de criar a feira de negócios e a expectativa para o evento.

1 – Como nasceu a ideia de criar um evento de encontro entre as periferias e os investidores?

O Celso [Athayde] já é o empreendedor do ano, premiado inclusive pela Fundação Schwab, que é ligada ao Fórum Econômico, e é o CEO [Diretor Executivo] da Favela Holding, a primeira holding com negócios em favela. Estou na presidência da CUFA, entidade que já mobiliza 5 mil favelas no Brasil trabalhando a formação de lideranças de agenda positiva nesses territórios. Então tem aí o networking e a inovação numa mesma página.

Essas potências (da Favela Holding e da CUFA) se juntam para convocar os empresários, empreendedores das startups e investidores do asfalto com os da favela. O objetivo é fazer com que os empreendedores encontrem conexões com os investidores e os investidores se conectem com o que está sendo produzido de inovador e criativo nas favelas brasileiras.

2 – Qual a importância de um evento que coloque esses dois públicos em contato?

A gente não tem visto nada parecido. A gente decidiu montar [o evento] para poder criar a oportunidade de fazer com que as pessoas, da favela e do asfalto, possam dialogar uma com as outras. O Brasil é um país desigual e apartado, então nossa função é criar pontes para que essas potências se encontrem e produzam uma agenda concreta de desenvolvimento.

3 – O slogan principal da Expo Favela fala sobre a favela não ser um lugar de carência, mas sim de potência. O que a favela está produzindo hoje e o que as pessoas vão encontrar na Expo Favela?

Vão encontrar na Expo Favela o reflexo do que a favela produz de riqueza, de inovação e de conhecimento. Antes da pandemia, a favela estava produzindo R$ 119 bilhões em poder de consumo, isso é o PIB do Paraguai e da Bolívia juntos, e do Uruguai separado. Estamos falando de um lugar que tem 34 milhões de pessoas, tem mais favelado do que gaúcho. Um lugar onde as pessoas consomem carros, celulares, streaming de internet, fazem gastronomia, desenvolvem tecnologia e empreendem.

Na favela, a gente aprende desde cedo a se virar e fazer as coisas por conta própria. Então tivemos um reposicionamento da ideia de favela como potência a partir desse olhar. E isso não quer negar a realidade social que a favela vive, negar a realidade desigual. Mas sim apontar para um lugar em que a gente, na hora que ocupa, começa a mexer na estrutura desigual e injusta da sociedade.

Para Preto Zezé, a favela produz riqueza, inovação e conhecimento @Daniel de Araújo Ferreira/Reprodução

4 – Qual a expectativa de vocês para o evento? Vocês têm uma estimativa de quantos participantes estarão presentes?

A gente está calculando um impacto direto de 15 mil a 20 mil pessoas, uma média entre 5 mil e 7 mil por dia. Estamos calculando construir uma rede gigante dentro das favelas de empreendedorismo, de novos negócios, conectando com os fundos de investimento e com os empresários do asfalto.

Estamos pensando na produção de um novo ecossistema de negócios que, até então, ainda não se tinha, não se pensava. As pessoas vão ver nesses três dias uma outra perspectiva, um outro olhar de dentro das favelas. E a gente espera que esse seja um movimento permanente.

5 – Como foi o processo de curadoria para os empreendedores que vão participar da feira?

Tivemos 250 mil inscritos desde a primeira fase e 1.400 escolhidos. Todos os estados do Brasil foram contemplados, com um recorte muito grande para as mulheres, negros e comunidade LGBTQIA+. Toda a diversidade foi contemplada.

São negócios que as pessoas já estão operando nos territórios. E a expectativa maior é que esse momento possibilite construir uma agenda comum com atores e ambientes que, na “vida comum”, não se encontrariam.

6 – Por que vocês escolheram São Paulo para este encontro? E por que sediar no WTC?

São Paulo é escolhida porque é o centro da economia do país e o WTC [World Trade Center] é o centro dos grandes eventos. A construção que nós temos desde a existência da CUFA é a favela como lugar de potência. Então nada mais lógico do que levá-la numa potência econômica, que é o estado de São Paulo, e na casa da potência dos grandes eventos, que é o WTC.

7 – Você quer deixar um convite para o pessoal?

Ainda dá tempo [de participar da Expo Favela], ainda tem um restinho de ingressos. Amanhã vai ser um grande sucesso, vai ser a demonstração de que a inteligência e a potência das favelas ajudam o Brasil a ser um país mais justo, mais diverso, mais preto e mais potente.

Expo Favela

Data e horário: Dias 15, 16 e 17 de abril, das 10h às 22h

Endereço: WTC Av. das Nações Unidas, 12551 – Cidade Monções, São Paulo – SP

Mais informações: http://www.expofavela.com.br

Jessica Bernardo

Jornalista, cria de uma família de cearenses. Apaixonada por São Paulo, bolos e banhos de mar. Correspondente do Grajaú desde 2017.

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