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Como é se recuperar da Covid-19?; ouça o podcast

Já são mais de 100 mil brasileiros recuperados da doença; Moradores das periferias de São Paulo contam como foram os dias de luta contra o coronavírus até a cura

Os casos de coronavírus nas periferias não param de aumentar. No dia 18 de maio, o Brasil registrou 1.179 mortes em 24 horas. São vidas interrompidas pelo vírus.  

Mas além das histórias ruins, há também histórias de pessoas recuperadas. Já são mais de 100 mil brasileiros recuperados da doença.

Neste episódio, o Em Quarentena traz relatos de pessoas que testaram positivo para a doença, passaram por tratamento e agora podem dizer aliviados como foi passar por isso. 

Mas antes de começar a contar essas histórias, a Agência Mural prestou solidariedade à família do jovem João Pedro, de apenas 14 anos, que foi assassinado pela polícia dentro de sua casa, no dia 17 de maio, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo no Rio de Janeiro.

Anésia tem 60 anos e trabalha como auxiliar de limpeza na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) de um hospital em Suzano, na Grande São Paulo. Ela contou como se sentiu nos primeiros dias em que esteve infectada pelo novo coronavírus.

“Nos primeiros dias, minha garganta parecia que iria tampar, aquela tosse insuportável. Só olhei para o céu e pedi para Deus ter misericórdia de mim”. (ouça a partir de 00:51)

A auxiliar de limpeza disse que fez o exame após uma colega que, ao vê-la tossindo muito, recomendou que ela passasse no médico. O resultado positivo do teste veio só sete dias depois. Mas, assim que foi consultada, Anésia foi orientada a ficar em quarentena. Ela mora com o marido e resumiu como foi manter o isolamento. 

“Infelizmente a gente mora numa casa de três cômodos e um banheiro, então não tinha nem como ter aquele isolamento. Eu fiquei todo tempo de máscara, tinha minhas coisas separadas. Meu isolamento foi esse”. (a partir de 01:48)

Ela reforçou que seguiu todas as orientações médicas em casa e em uma semana, já estava se sentindo melhor. “Nos dois primeiros dias eu me senti muito mal. Era dor de cabeça, aquela tosse insuportável e garganta que doía demais e ficava fechando. Mas depois fui melhorando. Tomei bastante líquido”. (ouça em 02:18)

Após 14 dias afastada, a Anésia voltou à UTI do hospital, muito orgulhosa do trabalho que faz. “Eu faço meu serviço com muita honra, alegria e muita dedicação. E naquilo que posso ajudar as pessoas que vejo ali sofrendo, eu procuro fazer o melhor. Porque é um serviço que faço com muito amor”. (em 02:45)

Quem também se recuperou da Covid-19 foi Crislaine, que mora em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, e trabalha no mesmo hospital que a Anésia. Ela falou que ficou com muito medo, mas encarou a doença. 

“Eu já ficava com medo porque lá no hospital a gente vê muitos casos graves e a gente fica apavorado. Então quando fiquei com os sintomas já quis passar no médico para saber, porque é melhor se tratar antes do que ficar esperando piorar”. (em 03:17)

Crislaine também fez o tratamento em casa já voltou ao trabalho e enfatizou que todos devem se cuidar. “Quem puder ficar em casa, fique. A gente que precisa trabalhar, também tem que se cuidar”. (em 03:53)

O pastor Paulo de Faria tem 60 anos e mora em Pirituba, na zona norte de São Paulo. Ele ficou 12 dias internado por causa do vírus. Ele contou como tudo começou e disse ainda que não pensava que poderia ser Covid-19. 

“Eu estava começando a sentir um pouco de tosse, que não necessariamente pudesse ser isso. Até porque era normal, eu já tinha tido tantas outras vezes. Só que essa tosse foi ampliando, ficando intensa e iniciou estado febril”. (em 04:24)

Paulo explicou que conseguiu medir a saturação de oxigênio em casa porque já tinha outras doenças e costumava acompanhar essas taxas. E também falou que por conta dessas outras comorbidades ficou ainda mais preocupado. 

“Uma delas é que eu tenho um quadro de cirrose hepática não-alcoólico por conta de medicamentos de um outro problema grave de saúde que tive em 2010. Tinha tudo pra dar errado, porque são cuidados que precisa ter a mais”. (em 05:05)

Ele contou que ao chegar ao hospital, que era particular, fez exame de H1N1, que deu negativo. Mas que na radiografia, realizada no PS, constou pneumonia típica da Covid-19. Por isso, os médicos acharam melhor interná-lo. O resultado positivo para a doença chegou dois dias depois. 

Durante o período que esteve internado, o Paulo precisou ficar totalmente isolado, com pouco contato até com os médicos. Ele compartilhou que, mesmo sendo uma pessoa de temperamento tranquilo, tinha muita expectativa de poder voltar para casa e reencontrar a família. 

“A sensação de que a gente vai estar pronto para ter uma alta é sempre fantástica. Porque nos primeiros dias [internado] tudo bem. Mas depois começa a entrar naquele período em que você quer voltar para sua rotina normal”. (em 06:19)

Recuperado e em casa, o pastor enfatizou a importância de todos levar a doença a sério e respeitar o isolamento social.

“Não é se tornar neurótico, mas levarem a sério. Usem máscaras e façam higienização. Façam o possível. Evitem aglomerações porque isso realmente não é saudável. É um fator transmissor que pode gerar efeitos muito amplos”. (em 06:56)

Os correspondentes da Agência Mural Bruna Nascimento, de Suzano, e  Lucas Veloso, de Guaianases,  contaram essas histórias de moradores das periferias que se recuperaram da doença na reportagem “Curados da Covid-19 contam sobre a doença e pedem isolamento físico”. 

O episódio foi encerrado com o agradecimento do pastor Paulo aos profissionais que trabalham na área da saúde, o que inclui  também as auxiliares de limpeza Anésia e a Crislaine, que assim que se recuperaram voltaram à linha de frente do combate ao coronavírus.

“Quero deixar essa palavra de gratidão aos profissionais de saúde. Àqueles que cuidaram de mim e de outros pacientes, e a todos do nosso país. Porque é incrível o empenho e o cuidado que estão tendo”. (em 08:37)

Ouça este bate papo completo no Em Quarentena #38: Como é se recuperar da Covid-19?

Podcast Em Quarentena

Viver em meio ao coronavírus não deve estar sendo fácil para ninguém. Imagina então para quem vive nas periferias. 

O “Em Quarentena” é o podcast especial que a Agência Mural de Jornalismo das Periferias criou neste momento da pandemia. Queremos informar, com notícias do dia a dia, quem mais precisa se virar meio a esse caos.

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Redação

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