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Covid-19: Cidades na Grande SP registram 27 mil casos a mais do que governo do estado

Divergência entre informações do estado e das gestões municipais tem ocorrido desde o começo da pandemia e dificulta o acompanhamento de dados nas cidades.

Uma das dificuldades durante a pandemia de Covid-19 tem sido conseguir os dados precisos sobre a evolução da enfermidade em cada cidade. Diariamente, o governo do estado tem informado os dados de cada município, mas desde o início da pandemia há divergências. 

Nesta quarta-feira (14), por exemplo, segundo o Panorama da Covid-19 na Grande São Paulo, levantamento da Agência Mural, o número de casos chegou a 263 mil pacientes que contraíram o novo coronavírus nas 39 cidades da Grande São Paulo. Na conta da gestão estadual, no entanto, são 237 mil, uma diferença de 27 mil casos. 

A situação tem sido vista desde o começo da pandemia e minimizada ao longo do período pelas gestões. 

Na semana passada, a diferença no número de casos era de 40 mil. Enquanto prefeituras declaravam 207 mil pacientes, os municípios apontavam para 248 mil. 

CASOS DE COVID-19 SEGUNDO GESTÕES ESTADUAL E MUNICIPAL

Município Governo do estado Prefeituras Diferença
São Paulo 158.802 179.401 20.599
Guarulhos 9.411 11.898 2.487
São Bernardo do Campo 10.743 12.681 1.938
Osasco 7.508 9.057 1549
Barueri 2.635 3.313 678
Santo André 8.432 9.044 612
Carapicuíba 3.074 3.646 572
Cotia 1.814 2.191 377
Franco da Rocha 978 1.330 352

Procurada, a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde retornou por telefone. A pasta afirma que os dados de pacientes e óbitos são compilados de acordo com o lugar de residência das pessoas. 

Diz que a diferença pode se dar porque cada prefeitura pode levar em conta quesitos específicos para entender se os casos foram confirmados e se foram finalizados. 

Há controvérsia também no número de óbitos confirmados pela Covid-19 – são 13.345 vítimas nas contas da gestão estadual e 13.586 nas gestões municipais. 

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As diferenças têm peso pois a maioria dos dados relacionados a reabertura dos comércios têm levado em conta os dados compilados pelo governo do estado. Na Grande São Paulo, a maioria das regiões está na fase amarela, a qual permite a reabertura de bares e restaurantes

O caso de maior diferença registrado é o da capital. São 20 mil casos a mais registrados pela prefeitura (179 mil) do que o divulgado pelo estado (158 mil) nesta terça-feira (14). Desde abril, casos do tipo vem sendo relatados pela imprensa.

Ao analisar as 39 cidades, 28 delas têm mais casos registrados de Covid-19. Outras 11, contudo, apontam menos casos do que o governo estadual.

CIDADES QUE REGISTRAM MENOS CASOS DE COVID-19 DO QUE O GOVERNO DO ESTADO

Município Governo do estado Prefeituras Diferença
Taboão da Serra 2891 1410 -1481
Mauá 2826 1350 -1476
Itapecerica da Serra 1248 895 -353
Ferraz de Vasconcelos 1192 935 -257
Rio Grande da Serra 301 218 -83

Entre os casos mais gritantes está o de Mauá, na região do ABC paulista. Por ali, enquanto a prefeitura diz que eram 1.350 pessoas contaminadas pelo novo coronavírus, o governo do estado havia contabilizado mais do que o dobro: 2.826. A mesma diferença é vista no número de mortes: 14 óbitos a menos no balanço da prefeitura. 

Em junho, a reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Mauá sobre as diferenças. Na época, a gestão afirmou que havia um delay entre os dados da prefeitura e o governo do estado “tendo em vista a quantidade de laboratórios credenciados, a demora de resposta do Instituto Adolfo Lutz e dos moradores catalogados no município que vão realizar testes na rede privada”. 

Também alegou que era ‘comum’ moradores de Mauá procurarem a rede privada de saúde fora do município. “Por isso tal diferença se justifica”, disse. 

Taboão da Serra também teve uma diferença considerável. Enquanto a prefeitura diz haver 1.410, o governo do estado afirma que são 2.891. No entanto, curiosamente, a prefeitura registra 10 mortes a mais do que o governo do estado.

Paulo Talarico

Editor-chefe de jornalismo, cofundador e correspondente de Osasco desde 2011. Formado em jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, tem pós-graduação em jornalismo esportivo e curso técnico de locução para rádio e TV. Atualmente, estuda História na Universidade de São Paulo. Gosta de café, Osasco, livros, futebol e cinema.

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Jornalista, cofundador e correspondente de Guaianases desde 2014.

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Jornalista, correspondente de Mauá desde 2015. Estuda sobre direitos humanos, gênero e raça. Ama conhecer novos lugares, pessoas e sabores. Está sempre em movimento, com mil projetos e ideias na cabeça - sim, sou geminiana.

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