• Informações apuradas pela Agência Mural por meio de dados e entrevistas, buscando ouvir todos os lados envolvidos e seguindo nossa linha editorial.
    Notícia

Barueri tem metade das vítimas de Covid-19 nas regiões Votupoca, Silveira e Mutinga

Dividido em 16 regiões, cidade contêm maior número de mortes por 100 mil habitantes, na Grande São Paulo

Cidade com a maior taxa de mortalidade por Covid-19 na Grande São Paulo, Barueri registra mais da metade das mortes em três regiões do município. Levantamento da prefeitura obtido pela Agência Mural aponta o Votupoca, o Mutinga e o Silveira como principais focos da doença na região. 

Os dados são da semana passada e reforçam reportagem que mostra que as periferias têm sido as regiões mais afetadas também nas cidades da Grande São Paulo. Mostram também uma concentração maior em três das 16 áreas em que Barueri está dividida. 

Na época, o Parque Imperial aparecia como o bairro com maior número de mortos. Desta vez, a prefeitura mudou a amostragem para regiões maiores, que incluem outros bairros. 

O Imperial, por exemplo, está dentro do bairro Mutinga formado também por Cidade Munhoz Júnior, Condomínio Nova Vida, Jardim Santa Cecília, Jardim São Vicente de Paula. 

Por ali, foram registrados 17% das vítimas, o equivalente a 44 mortes. A região está encravada entre o bairro do Tamboré e a cidade vizinha de Osasco.

No caso do número de pacientes pelo novo coronavírus, 14,22% (aproximadamente 450) dos testes confirmados no município são nesta região. A prefeitura informou desta vez apenas as porcentagens das regiões. 

Imagem panorâmica do bairro Maria Helena em Barueri
Jardim Maria Helena, em Barueri, na região do Votupoca; quase 20% dos casos da cidade foram na regiãoAna Beatriz Felicio/Agência Mural

Em comparação, moradores da região mais rica da cidade, Alphaville, tiveram metade dos casos (7%) e menos vítimas (3% do total). 

Os outros dois bairros que concentram o maior número de casos e mortes são o Votupoca (15,6% dos casos e 16,2% das mortes) e o Silveira (19,84% dos casos e 19,84% das mortes). Ambos são vizinhos e fazem limite com outras cidades como Jandira e Carapicuíba.

Ao todo eram 3.148 casos e 254 até o dia 4 de julho, data do levantamento. 

Covid-19 em Barueri
Região Casos (% porcentagem por bairro) Mortes (% porcentagem por bairro)
Equivalente de mortes
Silveira 19,2 19,8 50
Votupoca 15,6 16,3 41
Mutinga 14,2 17,5 44
Belval 8,6 8,7 22
Cruz Preta 7,9 7,9 20
Alphaville 7,4 4,0 10
Engenho Novo 6,4 8,3 21
Califórnia 6,3 5,6 14
Centro 5,4 3,2 8
Boa Vista 4,2 4,0 10
Aldeia 2,6 4,4 11
Aldeia da Serra 0,8 0,0 0
Jubran 0,5 0,4 1
Altos 0,5 0,0 0
Tamboré 0,3 0,0 0
Fazenda Militar 0,0 0 0
Total de casos em 4 de julho 3148
Total de mortes 254
Fonte: Prefeitura de Barueri (dados de 4 de julho)

ENXUGAR GELO

Apesar do número alto de casos na cidade, moradores de Barueri por vezes minimizam o impacto, por imaginar que as vítimas são de outras cidades que buscam o serviço de saúde barueriense, algo comum ao longo dos últimos anos pelo município ser o que tem maior arrecadação. 

No entanto, a Prefeitura de Barueri confirmou que os casos se tratam de moradores da própria cidade. 

“O boletim inclui apenas casos de moradores de Barueri. Pessoas de outra localidade que recebem socorro médico na cidade têm seus dados enviados à sua cidade de moradia”, afirma a prefeitura.

Sobre o número de mortes e a taxa por 100 mil habitantes ser uma das maiores do estado, a prefeitura afirma ser causada pelo perfil de Barueri. 

“O número de casos e de óbitos refletem a proximidade de Barueri com a capital e o alto número de população flutuante que o município recebe diariamente, por ser um dos maiores polos econômicos da região”.

Parque Imperial, em Barueri, é um dos bairros com mais vítimasJuliana Rodrigues de Oliveira/Arquivo Pessoal

Recentemente, Barueri passou para a fase amarela da quarentena, assim como todas as cidades da região oeste da Grande São Paulo. Nesta etapa de flexibilização já é possível a abertura de bares e restaurantes desde que respeitadas algumas regras de capacidade. 

“A flexibilização total ao olhos da área da saúde seria como secarmos gelo para com a pandemia”, afirma a técnica de enfermagem Elaine Felix, 43, que trabalha em Barueri e está preocupada com o momento da pandemia.

VEJA TAMBÉM:
Confira o avanço de casos de Covid-19 na Grande São Paulo
Se sair, não leve o coronavírus para casa; Veja orientações
Sepultadores relatam pressão no trabalho e o preconceito contra a profissão

No início do mês de maio, ela fez um post nas redes sociais depois de ter contraído e se recuperado da Covid-19. Nele contava as incertezas de estar com o novo coronavírus, os sintomas que sentiu, a relação com a família. No fim, fez um apelo. 

“Entendam não é apenas uma gripezinha, e nem briga política, é um vírus avassalador”, postou.

Após a recuperação, Elaine voltou a linha de frente no combate ao Covid-19 no hospital onde trabalha. A técnica de enfermagem reitera a importância das pessoas permanecerem atentas às formas de prevenção principalmente nessa fase de flexibilização.

“Se protejam e redobrem os cuidados, porque por mais que sejamos cuidadosos, num descuido a gente se contamina”, pede a auxiliar. “Respeitem o distanciamento, uso de máscara e gel, lavagens das mãos são essenciais pois em menos de 24 horas podemos estar nos despedindo de um ente querido, um amigo”.

Paulo Talarico

Editor-chefe de jornalismo, cofundador e correspondente de Osasco desde 2011. Formado em jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, tem pós-graduação em jornalismo esportivo e curso técnico de locução para rádio e TV. Atualmente, estuda História na Universidade de São Paulo. Gosta de café, Osasco, livros, futebol e cinema.

Osasco

Ariane Costa Gomes

Jornalista, correspondente de Osasco desde 2015. Coautora do livro-reportagem "Além da Pele - Histórias de mulheres e suas cicatrizes. Ama ouvir música, ouvir rádio, conversar e ficar com as pessoas que ama.

Osasco

Comentários