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Em dois meses do Plano São Paulo, número de casos e mortes por Covid-19 mais que dobraram

Até o começo de junho, eram 96 mil casos e 6 mil mortes na Grande SP. Nesta terça-feira (4) foram registrados 351 mil contaminados e 16 mil vítimas
Movimento começou a ficar mais intensificado desde início do Plano SPLéu Britto/Agência Mural

Enquanto as discussões sobre a retomada da volta às aulas têm tomado a atenção das famílias, e a quarentena vem sendo flexibilizada, o número de casos de Covid-19 na região metropolitana de São Paulo ainda preocupam. 

Em dois meses de vigência do chamado Plano São Paulo, o número de casos saltou 266% e o de mortes dobrou nas 39 cidades da Grande São Paulo, de acordo com o Panorama da Covid-19, levantamento semanal feito pela Agência Mural. 

A alta indica que os cuidados ao sair de casa devem ser redobrados. 



No período, quase todas as cidades passaram para a fase amarela da quarentena, o que permitiu a reabertura de bares, restaurantes e salões de beleza. Se o estado inteiro estiver nessa fase por 28 dias, serão permitidas o retorno das aulas presenciais, cuja aplicação tem gerado incertezas nos pais. 

Apesar desse cenário, a quantidade de contaminações teve dois meses intensos, depois que o isolamento começou a ser flexibilizado. Eram 96 mil até o começo de junho e, nesta terça-feira (4), foram registrados 351 mil. O número de mortes saltou de 6,6 mil dois meses atrás para 16 mil. 

O principal dado que tem sido usado para permitir a reabertura tem sido o número de leitos disponíveis nas cidades. As vagas disponíveis indicam que há menos casos graves. Nesta semana, o governo do estado afirmou que a ocupação da vagas de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) era de 58% enquanto de enfermaria era de 46,6% na Grande São Paulo. 

Porém, o balanço varia de região para região. Em Guarulhos, por exemplo, cidade que teve mais de mil vítimas pela Covid-19, o município tinha mais de 80% de ocupação dos leitos de UTI nesta semana. Em Osasco, a ocupação era de 60% em geral. 

Outro dado que indica uma estabilização é o número de vítimas. Nos últimos sete dias, a Grande São Paulo perdeu 744 moradores por conta da doença. Nas semanas anteriores, as vítimas passaram de mil em uma semana. 

ACELERAÇÃO

Apesar disso, mais da metade das cidades tiveram aceleração no número de novos casos entre 28 de julho e 4 de agosto. 

O levantamento da Agência Mural indica que 22 cidades tiveram crescimento acima de 20% nos novos casos, nos últimos 15 dias. 


Na capital, por exemplo, houve alta de 22%. Mas cidades menores tiveram uma alta mais intensa. Biritiba Mirim, na parte leste da Grande São Paulo, teve 46% de novos pacientes com Covid-19. Mairiporã, na região norte, 33%. 

É justamente onde está Mairiporã a única parte da região metropolitana que não está na fase amarela e segue na fase laranja, com mais restrições. Ao lado dela estão Cajamar, Caieiras, Franco da Rocha e Francisco Morato. Por.lá, as proibições de reabertura são maiores, ao menos em teoria.

Na prática, o clima nas cidades é de que nem há uma pandemia em curso, com ruas lotadas no centro na porta dos comércios. 

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PERIFERIAS DA CAPITAL

Na capital, que registrou 9,7 mil mortes por Covid-19 até terça-feira (4), as periferias estão entre os locais com mais vítimas. Na cidade, 26 distritos estão com mais de 200 mortes ou mortes suspeitas pela doença. Todos das periferias da cidade. 

Sapopemba, Brasilândia, Grajaú, Sacomã, Jarim Ângela Capão Redondo, Cidade Ademar e Jardim São Luís estão na frente. 

Quando se leva em conta a taxa por 100 mil habitantes, outros bairros aparecem com situação agravada. Na zona leste, Artur Alvim teve 191 mortes ou mortes suspeitas para cada 100 mil moradores, mesma coisa da Água Rasa e do Belém, mais perto da região central.

Paulo Talarico

Editor-chefe de jornalismo, cofundador e correspondente de Osasco desde 2011. Formado em jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, tem pós-graduação em jornalismo esportivo e curso técnico de locução para rádio e TV. Atualmente, estuda História na Universidade de São Paulo. Gosta de café, Osasco, livros, futebol e cinema.

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